Brasília, 24 de setembro de 2025 – O perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou à Câmara dos Deputados que o ministro organizou um “mutirão de perseguição à direita” durante sua gestão na Corte, de 2022 a 2024.
Monitoramento de contas e pressão sobre empresas
Segundo Tagliaferro, servidores do TSE mantinham reuniões regulares com representantes de redes sociais e aplicativos de mensagens para exigir a remoção acelerada de perfis identificados como conservadores. O ex-assessor afirma que, caso o prazo não fosse cumprido, as plataformas eram ameaçadas com “possível derrubada” no país.
Entre os nomes citados por Tagliaferro como participantes da operação estão Gisele Siqueira (ex-secretária de Comunicação do TSE), Dario Durigan (ex-diretor de Políticas Públicas do WhatsApp e atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda), José Levi do Amaral Júnior (ex-secretário-geral do TSE) e Adaíres Aguiar (Secretaria de Transporte do tribunal). O delegado Disney Rosseti, ex-diretor de Polícia do TSE, foi apontado como exceção: “a ovelha negra” por não aderir às supostas práticas.
Depoimento na Subcomissão sobre Censura
O relato ocorreu durante audiência da Subcomissão Especial sobre o Combate à Censura, vinculada à Comissão de Comunicação da Câmara. O encontro foi solicitado pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO). É a terceira vez em poucas semanas que Tagliaferro comparece ao Congresso para expor conversas internas, ordens e documentos da antiga Assessoria Especial de Combate à Desinformação (AEED) do TSE.
O perito ressaltou que todo o material entregue – 149 documentos, inclusive mensagens de aplicativos – foi periciado e certificado pela Polícia Federal. Ele reiterou críticas a Moraes, afirmando que o ministro “manipulou processos, mídia e redes sociais” para moldar o ambiente político conforme seus interesses.
Dificuldades para avançar denúncias
Durante a oitiva, Tagliaferro relatou obstáculos para levar as acusações adiante. Disse que usuários sofreram punições apenas por republicar publicações da família Bolsonaro ou de parlamentares como Carla Zambelli (PL-SP). O ex-assessor afirmou estar preparado para eventuais consequências, citando risco de prisão, extradição ou até violência física.


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Ele também classificou como crime a suposta fraude em ritos processuais e a produção de documentos que, segundo ele, envolveria integrantes do Judiciário. Para ilustrar, mencionou o inquérito que investigou empresários acusados de trocar mensagens sobre política, no qual Moraes teria atuado “como verdadeira polícia”.
Articulação política para periciar provas
O líder da Oposição na Câmara, deputado Sanderson Zucco (PL-RS), e Gustavo Gayer discutiram a elaboração de um relatório conjunto Câmara-Senado para submeter as provas a perícia independente. O documento, ainda em construção, pode ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ordem dos Advogados do Brasil, embaixadas e veículos internacionais.
Zucco relatou que veículos de imprensa nacionais teriam se recusado a publicar o material integral por receio de sanções judiciais. Ele defendeu a criação de uma comissão de especialistas para validar todos os arquivos antes de eventual divulgação pública.

Imagem: Pablo Valadares
Relatório preliminar no Senado e processos do 8 de Janeiro
No último dia 11, a Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou relatório preliminar que resume as denúncias de Tagliaferro, mas mantém as provas sob sigilo. O texto sugere a suspensão cautelar de todas as ações penais relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, conduzidas pelo ministro Moraes, por possíveis “vícios materiais e formais”. Até o momento, a comissão não recebeu resposta das autoridades notificadas.
Posicionamento de Alexandre de Moraes
Em nota divulgada após as primeiras acusações, Moraes afirmou que todas as medidas adotadas em investigações sobre milícias digitais e desinformação são “oficiais, regulares e documentadas”. Segundo o ministro, requisições a plataformas foram amparadas no poder de polícia do TSE e nos regimentos internos. Relatórios teriam apenas descrito publicações consideradas ilícitas, com encaminhamento integral à Polícia Federal e ciência à PGR.
Situação jurídica de Tagliaferro
O ex-assessor foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República em agosto por violação de sigilo funcional, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ele se exilou na Itália alegando perseguição política.
O caso segue em debate no Congresso e coloca em xeque procedimentos adotados pelo TSE sob comando de Moraes. Parlamentares da oposição apostam que a divulgação completa dos documentos pode influenciar processos em curso e reforçar pedidos de revisão de sentenças.
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Em resumo, o depoimento de Eduardo Tagliaferro adiciona novas camadas à controvérsia sobre liberdade de expressão e atuação do Judiciário. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para ampliar o debate.
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