Brasília, 28 de outubro de 2025 – O mês termina com novo recuo nas vendas brasileiras aos Estados Unidos, mas o governo federal segue destacando o registro fotográfico do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. A comemoração contrasta com a apreensão de setores produtivos atingidos pelo tarifaço de Washington, em vigor desde agosto.
Tarifas americanas pressionam a economia
Desde a adoção de sobretaxas de 10% por razões comerciais e 40% por motivos políticos, as exportações destinadas ao mercado norte-americano apresentam queda contínua. Dados preliminares indicam retração de aproximadamente 20% em setembro, acentuando o recuo já observado em agosto.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos condiciona a remoção dos acréscimos à adoção de garantias de due process, liberdade de expressão e ausência de perseguição política no Brasil. Todos esses pontos constam na Constituição brasileira, mas Washington alega “necessidade de comprovação prática”.
O Palácio do Planalto, por sua vez, sustenta que o tema se limita ao âmbito do Supremo Tribunal Federal e afirma não poder interferir. Especialistas do setor exportador contestam: para eles, uma sinalização política do Executivo poderia destravar negociações bilaterais e acelerar eventual revisão das medidas.
Indústria e agropecuária calculam prejuízos
Grandes compradores de produtos como aço, alumínio, calçados e proteína animal, os EUA concentram parcela significativa da pauta externa nacional. Empresários relatam dificuldades para manter linhas de produção e cobrir a folha de pagamento.
De acordo com entidades setoriais, as perdas mensais chegam a centenas de milhões de dólares. O agronegócio, responsável por expressiva fatia do superávit comercial, observa redução de pedidos e já discute corte de investimentos planejados para 2026.


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“Os contratos de longo prazo foram revistos, e a incerteza afeta toda a cadeia”, afirma um representante da indústria de carnes, que prefere não ser identificado. “Precisamos de solução diplomática urgente; uma foto não paga boleto.”
Encontro simbólico, impacto limitado
Realizada à margem de um evento internacional em Nova York, a fotografia de Lula com Trump ganhou destaque na comunicação governamental. Artigos de opinião favoráveis ao Planalto consideraram o registro uma “vitória política”. Entretanto, não houve anúncio de avanço concreto na discussão tarifária.
Exportadores questionam a narrativa oficial. Para eles, enquanto não houver revogação das sobretaxas, cada mês de celebração simbólica significa mais pedidos cancelados e empregos ameaçados.
Investimentos em aeroporto de Patos chamam atenção
Paralelamente à crise nas exportações, recursos federais e estaduais somando quase R$ 36 milhões foram destinados ao aeroporto de Patos, na Paraíba. Do total, R$ 21,8 milhões partiram do Tesouro Nacional. O município é governado pelo pai do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados desde fevereiro.

Imagem: criada utilizando Whisk
Levantamento publicado pela imprensa nacional mostra que, entre fevereiro e agosto de 2025, o terminal registrou 451 pousos e decolagens de jatinhos privados, além de voos da Força Aérea Brasileira transportando o parlamentar. Em 2024, no mesmo período, foram apenas 227 operações – aumento superior a 98%.
A movimentação comercial, contudo, permanece restrita a voos regionais operados por uma única companhia. Produtores rurais apontam contraste entre o investimento em infraestrutura aérea de uso limitado e a falta de alívio fiscal para manter a competitividade externa.
Falta de perspectiva preocupa o setor produtivo
Sem sinal claro de recuo das tarifas, empresas estudam redirecionar embarques para outros mercados. A estratégia, porém, envolve prazos longos e custos adicionais de logística e adaptação a exigências sanitárias. Enquanto isso, usinas e frigoríficos operam abaixo da capacidade.
Lideranças empresariais cobram articulação política que garanta respeito ao devido processo legal, libere manifestantes considerados presos de forma injusta e satisfaça as exigências americanas. Defendem também que quem depredou patrimônio público pague pelos danos, conforme previsto em lei, separando atos de vandalismo de manifestações pacíficas.
A resistência do governo em assumir protagonismo nas negociações mantém a tensão no ambiente de negócios. As próximas estatísticas de outubro poderão confirmar novo tombo nas exportações, agravando a pressão por medidas imediatas.
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Resumo: Exportadores brasileiros contabilizam prejuízos crescentes após sobretaxas de até 40% aplicadas pelos Estados Unidos. Enquanto isso, o governo celebra uma foto com Donald Trump e investe R$ 36 milhões em aeroporto ligado ao presidente da Câmara. Sem solução diplomática à vista, indústria e agropecuária alertam para risco de demissões e retração de investimentos. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe esta reportagem nas redes sociais para ampliar o debate.
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