Brasília, 13 de outubro de 2025 — A saída crescente de brasileiros que procuram melhores condições de vida no exterior voltou ao debate após relato do economista e colunista Rodrigo Constantino. Em artigo recente, ele descreveu a trajetória de um motorista de aplicativo que trocou São Paulo por Lisboa e, hoje, dirige um veículo de alto padrão enquanto garante renda superior a cinco mil euros por mês.
História em Lisboa mostra mudança de rota profissional
Segundo Constantino, a conversa ocorreu durante uma viagem de Uber de Lisboa a Cascais. O condutor, identificado como José, é o caçula de onze irmãos de uma família do Piauí. Após migrar para São Paulo em busca de trabalho, considerou insuficientes as oportunidades encontradas e, há cerca de vinte anos, fixou residência em Portugal. Lá constituiu família, tornou-se pai de quatro filhos e hoje conduz um Tesla na categoria Uber Black.
O motorista afirma ter alcançado padrão de vida “digno” e desfrutar de mais segurança para a família. Mesmo insatisfeito com a política portuguesa de benefícios sociais a imigrantes, ele avalia que o país oferece ambiente favorável a quem deseja trabalhar sem depender do Estado. “Portugal deveria ser terra de oportunidades para quem produz, não para quem vive de esmolas”, contou ao colunista.
Motivos apontados para a fuga de capital humano
No artigo, Constantino atribui a saída de mão de obra qualificada do Brasil a um conjunto de fatores que, em sua visão, “pune o trabalhador honesto”. Entre eles, cita:
1. Crises econômicas recorrentes — O colunista associa os períodos de retração à gestão do Partido dos Trabalhadores, argumentando que cada crise intensifica o êxodo de profissionais que buscam estabilidade fora do país.
2. Insegurança pública — A falta de segurança é listada como fator decisivo para famílias que priorizam proteção pessoal e patrimonial.


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3. Educação deficiente — Escolas públicas pouco competitivas são mencionadas como obstáculo ao desenvolvimento do capital humano dentro do próprio território nacional.
4. Infraestrutura precária — Transporte público ineficiente e serviços básicos de baixa qualidade completam o panorama descrito como desestimulante.
O economista sustenta que esses elementos formam “um quadro triste de oportunidade perdida”, forçando inclusive trabalhadores de baixa renda a procurar alternativas em países com maior abertura ao esforço individual.
Fenômeno atinge diferentes camadas sociais
A narrativa não se restringe à elite econômica. Constantino aponta que, nos Estados Unidos, há diversos brasileiros que chegaram “com uma mão na frente e outra atrás” e hoje mantêm empregos estáveis ou empreendimentos próprios. Na Europa, a obtenção de visto de residência facilita o movimento para quem possui qualificação técnica ou disposição para desempenhar atividades essenciais.

Imagem: JESHOOTS.COM
Dados oficiais citados pelo autor indicam que a migração não se limita a grandes centros urbanos. Trabalhadores de regiões menos desenvolvidas, sobretudo do Nordeste, agarram oportunidades de recolocação mesmo em economias europeias com crescimento modesto, desde que o ambiente seja previsível e abra espaço para o mérito individual.
Conexão permanente com o país de origem
Apesar do afastamento físico, José — personagem central do episódio — mantém forte interesse na política brasileira. Ele relatou ao colunista que acompanha diariamente as notícias do país e prefere fontes alternativas à mídia tradicional. Para Constantino, esse comportamento demonstra que grande parte da diáspora ainda nutre esperança de mudanças estruturais, mas não se dispõe a esperar indefinidamente por elas.
No fechamento do artigo, o economista lamenta que “a multidão que deseja fugir” nem sempre consegue emigrar, ficando presa a um sistema que, segundo ele, “esfola o contribuinte” sem oferecer contrapartidas adequadas. A conclusão reforça a preocupação com a continuidade da perda de cérebros e braços produtivos, caso o ambiente interno não se torne mais favorável ao trabalho.
Fatores como tributação elevada, regulamentação excessiva e baixa segurança institucional permanecem no centro das queixas de quem decide partir. Enquanto essas condições persistirem, especialistas preveem a manutenção da tendência de brasileiros qualificados optarem por países dispostos a recompensar esforço e produtividade.
Para acompanhar análises e desdobramentos sobre a relação entre política econômica e mercado de trabalho, acesse a seção dedicada em Política.
O movimento de saída de capital humano evidencia que reformas estruturais são urgentes para reter talentos e incentivar o investimento interno. Entenda como a pauta avança e participe do debate compartilhando este conteúdo com seus contatos.
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