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Trump desafia pecuaristas e afirma que tarifas sobre carne do Brasil sustentam setor nos EUA

Econômia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu nesta quarta-feira (22) as críticas de pecuaristas norte-americanos e declarou que o bom momento vivido pelo setor ocorre, em grande parte, graças às tarifas impostas por sua administração sobre a carne bovina importada, incluindo o produto brasileiro. A afirmação veio após associações de produtores protestarem contra o plano do governo de ampliar a compra de carne da Argentina, medida que, segundo a Casa Branca, busca reduzir preços ao consumidor.

Origem do atrito com o setor bovino

O conflito começou no início da semana, quando Trump anunciou a intenção de liberar cotas maiores para a carne argentina entrar no mercado norte-americano. O gesto foi visto como recompensa ao presidente Javier Milei, aliado ideológico do republicano. Em reação, a Associação Nacional de Pecuaristas de Carne Bovina (NCBA) divulgou nota argumentando que a ampliação das importações pode prejudicar produtores dos Estados Unidos e distorcer o livre-mercado interno.

Diante do posicionamento da NCBA, Trump utilizou a rede Truth Social para reforçar que seus decretos tarifários criaram uma barreira essencial à concorrência externa. “Os pecuaristas, que eu amo, só estão indo tão bem porque impus tarifas sobre o gado que entra nos Estados Unidos, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, escreveu o presidente. “Seria bom se eles entendessem isso, mas também precisam baixar os preços, porque o consumidor é um fator muito importante”, completou.

Tarifa de 50% sobre a carne brasileira

As sobretaxas citadas por Trump entraram em vigor em agosto e atingem diversos produtos brasileiros, entre eles a carne bovina. A alíquota de 50% veio acompanhada de restrições sanitárias mais rígidas para frigoríficos interessados no mercado norte-americano. Na prática, a medida encarece a entrada do produto do Brasil e favorece a produção doméstica, que passou a competir em condições mais vantajosas.

Segundo relatos de entidades do setor, o valor pago pelo gado nos Estados Unidos registrou alta consistente nos últimos meses, refletindo o menor volume de carne importada. Esse cenário reforçou a percepção de que as tarifas atenderam aos interesses dos pecuaristas, ainda que, no entender do governo, tenham impactado o preço final ao consumidor.

Importação da Argentina como estratégia de preço

A decisão de recorrer à carne argentina foi justificada pela Casa Branca como forma de corrigir a escalada nos custos para o público. Autoridades ligadas ao Departamento de Agricultura argumentam que a abertura gradual do mercado a fornecedores específicos garante estoque adicional em períodos de maior demanda, sem desestruturar o setor doméstico.

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Para a NCBA, entretanto, a iniciativa interfere artificialmente nos sinais econômicos. A entidade teme que produtores nacionais sejam pressionados a reduzir margens, enquanto projetos de expansão ficam comprometidos. A associação solicitou diálogo direto com a Casa Branca para expor preocupações e discutir alternativas que preservem a competitividade interna.

Posicionamento de Trump e próximos passos

Trump, por sua vez, reforça que protegê-los segue prioridade, mas condiciona novos benefícios a uma queda de preços no varejo. O republicano considera que o consumidor deve sentir os resultados das políticas comerciais, principalmente em itens de necessidade básica, como proteínas de origem animal.

Nos bastidores, auxiliares presidenciais avaliam que a importação adicional da Argentina terá impacto limitado no volume total consumido pelos norte-americanos, mas funcionará como sinal de pressão sobre frigoríficos e distribuidores. A estratégia, nesta leitura, combina defesa do produtor local com estímulo à competição pontual para segurar inflação.

Para acompanhar outras movimentações do cenário federal, acesse a seção de política do Geral de Notícias.

Em resumo, o embate opõe um presidente que aposta em tarifas como escudo para a produção interna e entidades que temem perder fôlego diante de novas importações. Resta saber se o setor atenderá ao apelo de Trump por preços menores e se o consumidor perceberá alívio no curto prazo. Continue seguindo nosso portal para análises atualizadas e desdobramentos desta disputa comercial.

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