O ex-embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, declarou em entrevista à BBC News Brasil que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump já não vê espaço para intervir nos processos judiciais envolvendo Jair Bolsonaro (PL). Segundo Shannon, hoje lobista do escritório Arnold & Porter, o republicano estaria concentrado em construir um canal direto de diálogo com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Shannon descreve mudança de foco em Washington
De acordo com o ex-diplomata, Trump reconheceu que qualquer tentativa de influenciar a Justiça brasileira em favor de Bolsonaro fracassou. Shannon explicou que o Supremo Tribunal Federal manteve a inelegibilidade do ex-chefe do Executivo e sinalizou que dará prosseguimento aos processos criminais.
“Trump entendeu que não conseguiria alterar decisões internas do Brasil”, afirmou. Para o lobista, a consequência direta foi a decisão do republicano de “virar a página” em relação a Bolsonaro e buscar uma agenda pragmática com Lula.
Embora admita que Trump considera Bolsonaro um “amigo com visões políticas semelhantes”, Shannon observou que o nome do ex-presidente brasileiro não aparece nas recentes comunicações entre os governantes. “Trump valoriza a lealdade, mas percebeu que não pode mais ajudar. Por isso, não insiste no tema em conversas com Lula”, acrescentou.
Encontros e telefonemas reforçam aproximação
A reaproximação ganhou força na Assembleia Geral da ONU, em setembro, quando Trump e Lula se encontraram brevemente. O norte-americano classificou o contato como “excelente química”. Shannon avalia que a iniciativa partiu do republicano: “Ele sabe quando uma frente não avançará e tenta outra”.
No início de outubro, os dois presidentes conversaram por telefone durante cerca de 30 minutos. O Palácio do Planalto descreveu o tom como amistoso. Na ocasião, o governo brasileiro solicitou a retirada de uma sobretaxa de 40% sobre produtos nacionais e o fim de restrições a autoridades do país.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Dias depois, o chanceler brasileiro Mauro Vieira reuniu-se em Washington com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. O Itamaraty classificou o encontro como “muito produtivo”, sinalizando avanço nas negociações comerciais.
Perfil de Shannon e críticas à direita brasileira
Thomas Shannon foi embaixador no Brasil entre 2009 e 2013, durante a gestão de Barack Obama. Ligado ao Partido Democrata, assumiu ainda a Subsecretaria de Estado para o Hemisfério Ocidental no governo de George W. Bush e, mais tarde, a Subsecretaria para Assuntos Políticos já sob Obama. Aposentado do serviço diplomático em 2018, tornou-se consultor de política internacional e, atualmente, representa interesses do Planalto nos Estados Unidos na disputa contra tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros.
Crítico declarado da direita e da família Bolsonaro, Shannon declarou que Trump teria sido “mal informado ou induzido ao erro” ao sancionar tarifas contra o Brasil. Para o ex-embaixador, o momento atual é “muito positivo” se comparado ao clima tenso de agosto.

Imagem: Alan Santos
Possível encontro na Malásia
Trump e Lula participam, neste final de semana, da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) na Malásia. Segundo Shannon, há expectativa de nova reunião entre os dois no domingo, 26 de outubro. O objetivo seria consolidar a retomada do diálogo e discutir temas comerciais pendentes.
Intervenção judicial descartada
Questionado sobre a chance de Trump ainda tentar anular decisões que pesam contra Bolsonaro, Shannon foi direto: “Não há mais pedidos sobre a mesa”. Ele reforçou que a Corte brasileira deixou claro que prosseguirá com as acusações e manterá a proibição de candidatura. “Quando isso ficou evidente, restou aos Estados Unidos aceitar a realidade”, concluiu.
O relato do ex-diplomata indica que o ex-presidente norte-americano busca agora uma estratégia de cooperação pragmática com o governo Lula, sem romper totalmente com Bolsonaro, mas reconhecendo limites para qualquer interferência externa no Judiciário brasileiro.
Para acompanhar desdobramentos sobre a relação Brasília-Washington, visite também nossa seção de política em Geral de Notícias, atualizada diariamente.
Em resumo, Donald Trump teria suspendido esforços em favor de Jair Bolsonaro e concentrado esforços em negociar com Lula, após concluir que o Supremo Tribunal Federal não recuará nas ações contra o ex-presidente. Continue atento às próximas atualizações e compartilhe esta matéria com quem acompanha a política externa brasileira.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

