O encontro de 45 minutos entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, realizado neste domingo (26) em Kuala Lumpur, não alterou a situação das tarifas norte-americanas sobre o Brasil. A sobretaxa de 50% aplicada desde agosto continua em vigor, sem data estabelecida para ser revista, apesar do tom cordial adotado pelas duas delegações.
Tarifas permanecem inalteradas
Enquanto Camboja, Tailândia e Malásia concluíram acordos comerciais com Washington durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Brasília saiu da reunião sem resultado prático. Trump limitou-se a prometer que mandará sua equipe “iniciar imediatamente” o diálogo técnico, mas não adiantou critérios ou contrapartidas para suspender o tarifaço. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que as alíquotas continuam válidas e destacou a intenção de prosseguir as conversas ainda na noite de domingo.
Antes da reunião reservada, Trump declarou à imprensa que as tarifas “podem ser negociadas muito rapidamente”. Lula, por sua vez, defendeu a suspensão imediata do aumento durante o período de negociações e argumentou que os Estados Unidos não registram superávit comercial expressivo em relação ao Brasil. Apesar da proximidade histórica entre os dois países, a Casa Branca não divulgou nota conjunta nem mencionou a pauta em suas redes oficiais.
Próximos passos e obstáculos
A primeira rodada técnica deve ocorrer em Kuala Lumpur, porém não há local nem horário detalhados. O processo será acompanhado pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, escolha considerada dura para o Palácio do Planalto. Rubio é crítico frequente de Lula e de regimes autoritários latino-americanos, fator que tende a elevar o grau de exigência nas tratativas.
Vieira sinalizou que o governo brasileiro espera uma solução “em semanas”. O histórico recente, contudo, indica desfechos mais longos. O Canadá, por exemplo, negocia com Washington há meses e, após exibir uma peça publicitária desagradando Trump, recebeu tarifa extra de 10%, somada aos 35% já existentes. Analistas avaliam que o risco de novas penalidades persiste caso as conversas não avancem rapidamente.
O ambiente internacional também é desfavorável. A guerra comercial dos EUA com a China voltou a escalar; Trump ameaçou Pequim com tarifas de 155% a partir de 1º de novembro se não houver acordo. Mesmo nos entendimentos fechados neste fim de semana, Tailândia, Camboja e Malásia mantiveram a tarifa de 19% imposta no começo do mandato trumpista, aceitando, em contrapartida, apoiar Washington em iniciativas de contenção à influência chinesa.


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Pontos discutidos entre os presidentes
Segundo relato de Mauro Vieira, a conversa foi “descontraída” e incluiu temas variados. Lula reiterou o pedido para que os EUA suspendam não apenas as tarifas, mas também sanções aplicadas por meio da Lei Magnitsky. Trump teria elogiado a trajetória política do brasileiro e manifestado desejo de visitar o país em breve. Questionado sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o líder norte-americano respondeu que não se trata de assunto “da sua conta”, evitando ingerência direta no Judiciário brasileiro.

Imagem: Ricardo Stuckert
A Sede de governo norte-americana encerrou a agenda pública de Trump sem registrar compromissos adicionais. Enquanto isso, Lula publicou em sua conta na rede social X que a conversa foi “franca e construtiva”, reforçando a necessidade de acelerar a solução para tarifas e sanções.
Embora o clima tenha sido cordial, especialistas lembram que a diplomacia de Trump costuma combinar gestos amigáveis com cobranças rigorosas. A continuidade da sobretaxa evidencia a estratégia: demonstrar abertura a diálogo, mas manter pressão econômica até obter concessões satisfatórias.
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Em resumo, o governo brasileiro volta de Kuala Lumpur sem alívio tarifário imediato. A manutenção da taxa de 50% reforça o caráter negociador duro da administração Trump e lança sobre Brasília o desafio de apresentar propostas que convençam Washington a recuar. Continue acompanhando nossos boletins para saber se as próximas etapas destravarão essa pauta decisiva para o comércio exterior nacional.
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