Brasília — Levantamento oficial mostra que o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) por autoridades civis alcançou R$ 8,6 milhões entre janeiro e o início de novembro de 2025. No total, foram realizados 394 voos, dos quais 75 contaram com apenas três, dois ou um passageiro. Em 14 trechos, o avião decolou com um único ocupante.
Ministério da Justiça concentra maior volume de viagens
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, lidera o ranking de deslocamentos. Ele registrou 82 voos e gastos de R$ 1,65 milhão. Somente 5 dessas viagens ocorreram em companhia de outros ministros. Entre os deslocamentos classificados como “Uber aéreo” — quando o jato transporta no máximo três passageiros — o titular da pasta somou 19 trechos, que correspondem a R$ 346 mil.
A maior parte das rotas de Lewandowski foi entre Brasília e São Paulo. Ao todo, 54 trechos conectaram as duas cidades. Normalmente, o ministro deixa a capital federal nas sextas-feiras e retorna nas segundas-feiras. Em pelo menos quatro fins de semana (2 de abril, 19 de junho, 26 a 29 de setembro e 6 de outubro), o integrante do primeiro escalão voou para São Paulo sem compromissos oficiais registrados na agenda ministerial.
Voos “secretos” e brecha na legislação
Além das viagens com passageiros identificados, 48 deslocamentos foram classificados como “secretos”, destinados a agentes sob a responsabilidade do Ministério da Defesa. Essas operações custaram R$ 883 mil, dos quais R$ 565 mil referentes a 39 voos do tipo “Uber aéreo”. Em 11 ocasiões, apenas o agente embarcou.
A prerrogativa de usar jatinhos militares para fins de segurança foi criada no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. À época, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) alegaram riscos em voos comerciais e solicitaram proteção ao então ministro da Justiça, Flávio Dino. A legislação previa o benefício apenas aos presidentes da Câmara, do Senado, do STF e ao vice-presidente da República. Dino, porém, autorizou a extensão do serviço em “casos de risco à segurança ou ausência dela”.
Desde então, o STF tornou-se um dos principais usuários da frota. Em 2024, o ministro Alexandre de Moraes foi o que mais se valeu do dispositivo. Em 2025, boa parte dos voos secretos concentrou-se no trajeto Brasília–São Paulo, o que sugere utilização para deslocamento residencial.


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Aviões disponibilizados para chefes do Legislativo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, realizou 113 voos nos dez primeiros meses do ano, acumulando despesas de R$ 2,8 milhões. O parlamentar da Paraíba costuma utilizar os jatinhos para deslocamentos ao estado de origem e para viagens a São Paulo. No exterior, Motta voou para Nova York e Lisboa, com custo de R$ 470 mil.
No Senado, Davi Alcolumbre contabilizou R$ 1 milhão em viagens domésticas ao longo de 2025. Os registros apontam uso recorrente das aeronaves oficiais para agendas políticas em diferentes estados.
Modelo de custeio e transparência
Cada voo da FAB para autoridades é calculado a partir de horas de voo, combustível, manutenção e diárias das tripulações. Embora as informações orçamentárias sejam públicas, detalhes sobre a motivação dos deslocamentos, principalmente os classificados como sigilosos, permanecem restritos.

Imagem: Lula Marques
O controle sobre o uso da frota é exercido pelo Ministério da Defesa, que avalia e autoriza os pedidos caso a caso. As solicitações precisam enquadrar-se em três categorias: emergência médica, segurança ou serviço de interesse do Estado. Críticos apontam que a brecha da segurança vem sendo aplicada de forma ampla, assegurando viagens para compromissos particulares e fins de semana em casa, sem fiscalização efetiva.
Impacto fiscal e questionamentos
Com um gasto que se aproxima de R$ 9 milhões em menos de um ano, o uso dos jatinhos da FAB contrasta com o discurso oficial de contenção de despesas. O valor inclui apenas o deslocamento das autoridades listadas e não abrange outros ministérios, estatais ou forças de segurança.
Parlamentares de oposição sinalizam que podem protocolar requerimentos de informação para detalhar agendas e justificar despesas. O argumento é que a frota militar deve servir a interesses estritamente públicos, evitando sobreposição com voos comerciais, que oferecem maior transparência financeira.
Em meio às discussões sobre equilíbrio das contas públicas, o volume de viagens de fim de semana e sem agenda divulgada reforça questionamentos sobre a real necessidade dos deslocamentos. O governo não indicou, até o momento, ações para limitar ou reavaliar o benefício.
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Em resumo, o relatório evidencia crescimento expressivo no uso de aeronaves oficiais por autoridades civis, impulsionado por critérios de segurança ampliados desde 2023. O impacto de R$ 8,6 milhões reacende o debate sobre transparência e prioridade no gasto público. Fique atento a novas atualizações e compartilhe esta matéria para ampliar a discussão sobre o tema.
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