Brasília, 18 de setembro de 2025 – A venda de minas de níquel brasileiras para a estatal chinesa Minmetals (MMG) elevou a participação da China para até 60% do fornecimento mundial do metal e acirrou a disputa global por recursos estratégicos. O negócio, fechado no início do ano, envolve as operações de Barro Alto e Codemin, em Goiás, além dos projetos Jacaré (PA) e Morro Sem Boné (MT), anteriormente controlados pela Anglo American.
Negócio de US$ 500 milhões reforça hegemonia chinesa
A MMG desembolsou US$ 500 milhões pelos ativos, superando propostas de vários concorrentes. A Corex Holding, ligada ao grupo turco Yildirim, afirma ter ofertado US$ 900 milhões – 80% a mais – e questiona a transação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A empresa turca sustenta que a aquisição concede à MMG cerca de 30% do mercado brasileiro de níquel, com possíveis impactos na segurança de suprimento para países ocidentais.
O Cade abriu investigação preliminar que, caso confirme infrações concorrenciais, pode resultar em multa de até R$ 60 milhões e instaurar processo sobre concentração de mercado. Paralelamente, a Corex levou a disputa à União Europeia, enquanto o Instituto Americano do Ferro e do Aço (AISI) manifestou preocupação a Washington.
Essencial ao aço inoxidável e às baterias de veículos elétricos, o níquel possui reservas concentradas em poucos países. Indonésia, Austrália e Brasil respondem pela maior parte das jazidas conhecidas, mas Pequim já detém posição dominante na Indonésia e, agora, amplia presença no território brasileiro.
Lacunas regulatórias e rareamento de capital travam potencial brasileiro
No Brasil, o subsolo pertence à União, que concede direitos de lavra a empresas capazes de explorar economicamente as áreas. Tudo o que a Anglo American fez foi transferir essas concessões à MMG, ressalta o advogado Frederico Bedran Oliveira, especialista em mineração. A legislação não impõe filtros rígidos a investidores estrangeiros, exceção feita a zonas de fronteira e urânio.
Países como Estados Unidos impõem barreiras específicas para estrangeiros, principalmente chineses, em setores considerados sensíveis. A desregulamentação brasileira, somada à escassez de capital de risco doméstico, abre espaço para que companhias estatais estrangeiras se tornem protagonistas em projetos locais.


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O cenário se repete nas chamadas terras raras, grupo de 17 elementos fundamentais para motores elétricos, turbinas eólica e equipamentos de defesa. O Serviço Geológico dos EUA calcula que o Brasil detém 21 milhões de toneladas – a segunda maior reserva global. Mesmo assim, praticamente toda a produção nacional segue bruta para a China para processamento e fabricação de ímãs permanentes.
Janela de oportunidade ameaça fechar
Estudos indicam mais de trinta projetos de pesquisa em andamento, destacando-se a mina da Serra Verde, em Goiás. Contudo, o país ainda opera apenas em escala laboratorial nas fases de separação, metalização e transformação industrial das terras raras. Para alcançar valor agregado, seriam necessários investimentos maciços em tecnologia e plantas de processamento – iniciativa que não avança sem sinal claro do poder público.

Imagem: criada utilizando Dall-E
Tramitam no Congresso propostas para incentivar minerais críticos. O PL 2780/2024, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), prevê incentivos fiscais e licenciamento ambiental simplificado. Já o PL 2197/2025, no Senado, exige beneficiamento interno antes da exportação. Apesar disso, o governo Lula ainda não apresentou política nacional consistente para o setor, limitando-se a declarações de intenção durante a preparação da COP30.
Especialistas alertam que a demora pode custar caro. Se o Brasil não abordar rapidamente pontos como segurança jurídica, infraestrutura e financiamento, outras nações consolidarão o mercado, deixando reservas brasileiras subaproveitadas.
Para quem acompanha a pauta de recursos naturais e quer entender como decisões políticas influenciam o setor, recomendamos visitar nossa seção de Política, onde análises e desdobramentos legislativos são atualizados diariamente.
Em resumo, a venda das minas à MMG reforça a liderança chinesa no níquel e expõe a falta de estratégia brasileira para minerais críticos. O tema reúne implicações econômicas, tecnológicas e geopolíticas que exigem resposta urgente de Brasília. Continue acompanhando o Geral de Notícias para receber atualizações sobre investimentos, projetos e medidas regulatórias que podem definir o futuro do subsolo nacional.
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