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Vereadora classifica traficantes como “trabalhadores explorados” e reabre debate sobre legalização das drogas

Política

Uma semana após a operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 4 agentes mortos e 117 integrantes do Comando Vermelho abatidos ou presos, o tema segurança pública ganhou novo capítulo em Porto Alegre. Na tribuna da Câmara Municipal, a vereadora Karen Santos (PSOL) defendeu a regulamentação das drogas e chamou os traficantes de “trabalhadores megaexplorados”, argumento que gerou forte repercussão nacional.

O discurso que provocou polêmica

Durante sessão ordinária, a parlamentar comparou entorpecentes ilícitos a produtos como álcool, cigarro, açúcar e café, afirmando que todos fazem parte de cadeias produtivas lucrativas. Segundo ela, a proibição beneficiaria o “capitalismo” por manter uma atividade bilionária “sem taxação de impostos” e sem direitos trabalhistas para quem cultiva, embala ou distribui as substâncias.

Para a vereadora, a saída seria legalizar o comércio de drogas, criando um mercado regulado. A fala, produzida apenas quatro dias após a operação carioca, foi recebida com críticas de representantes das forças de segurança, de juristas e de associações de vítimas da criminalidade. Parlamentares ligados à base conservadora classificaram o posicionamento como um “incentivo à impunidade”.

Argumentos contrários à relativização do tráfico

Críticos ao discurso elencaram dez pontos principais para rejeitar a equiparação do traficante a um trabalhador comum e a ideia de regulamentação do tráfico:

1. Estado de Direito ameaçado – Ao suavizar a conduta de quem viola a lei penal, enfraquece-se o princípio da legalidade que garante que ninguém está acima das normas.

2. Ofensa ao bem comum – O lucro do narcotráfico deriva da destruição de vidas e do aumento da violência, contrariando a missão do poder público de proteger a sociedade.

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3. Desintegração comunitária – A glamourização do crime remove referências de certo e errado, prejudicando a formação de crianças e jovens.

4. Risco à democracia – Incentivar atividades criminosas inverte a função do Estado, que deixa de ser guardião dos cidadãos para se aproximar da desordem.

5. Desvalorização do trabalho honesto – Colocar narcotraficantes no mesmo patamar de profissionais legítimos desestimula quem vive do próprio esforço.

6. Ruína da ordem pública – Sem distinção clara entre lícito e ilícito, a lei perde autoridade e abre caminho ao caos.

7. Ataque à dignidade e à saúde – Substâncias ilícitas geram dependência severa, mortes e sobrecarga nos sistemas de saúde.

8. Erosão da responsabilidade moral – Se vender drogas passa a ser atividade “formal”, desaparece o senso de culpa indispensável à recuperação de usuários e vendedores.

9. Solução está na educação, não na legalização – Jovens recrutados pelo crime carecem de ensino de qualidade, capacitação profissional e oportunidade de trabalho lícito.

10. Falácia da comparação com álcool e tabaco – Embora prejudiciais, bebidas e cigarros não provocam perda imediata de consciência nem expansão de quadrilhas armadas, diferentemente do tráfico de entorpecentes.

Contexto da operação no Rio de Janeiro

A ação policial que antecedeu o discurso ocorreu em comunidades controladas pelo Comando Vermelho, maior facção do estado. Segundo a Secretaria de Segurança, o objetivo era prender chefes do tráfico responsáveis por ataques a ônibus e assassinatos de policiais. O confronto resultou em quatro policiais mortos, 117 suspeitos neutralizados e apreensão de fuzis, pistolas e grande quantidade de drogas.

Especialistas em segurança defendem que operações integradas, inteligência e reforço do efetivo são essenciais para reduzir o poder bélico das facções. Eles alertam que qualquer sinal de flexibilização legislativa pode ser interpretado pelas organizações criminosas como estímulo para ampliar suas atividades.

Repercussão política e possíveis desdobramentos

Partidos de oposição à vereadora estudam acionar o Conselho de Ética da Câmara de Porto Alegre por apologia ao crime. Já movimentações no Congresso Nacional indicam pouca chance de avanço em propostas que liberem o comércio de substâncias atualmente proibidas. Parlamentares governistas e de centro se mostram cautelosos diante do aumento da violência associada ao narcotráfico.

Enquanto o debate permanece aceso, entidades de policiais, de pais de dependentes químicos e de organizações religiosas pressionam pela manutenção de penas rígidas e por políticas públicas focadas em prevenção, tratamento e reinserção social – sem abrir espaço para a legalização ampla.

Para saber como a discussão sobre drogas impacta outras pautas do Parlamento, veja também nossa editoria de Política, que acompanha votações e projetos em tempo real.

Em síntese, o pronunciamento da vereadora expôs novamente o confronto de visões entre quem defende leis mais brandas para as drogas e quem exige rigor contra a criminalidade. A sociedade, entretanto, continua a cobrar segurança, ordem e respeito às vítimas da violência. Acompanhe nossas atualizações e participe: compartilhe esta matéria e deixe sua opinião nos comentários.

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