Washington (EUA) — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cumpriu nesta quinta-feira (16) agenda de pouco mais de uma hora na Casa Branca com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A conversa girou em torno da sobretaxa de 50% aplicada pelos Estados Unidos, desde agosto, sobre diversos produtos agrícolas e industriais brasileiros. Ao deixar o encontro, o chanceler qualificou o diálogo como “muito construtivo”, limitando-se a informar que tratou dos caminhos práticos para a retirada do chamado “tarifaço”.
Tarifas de 50% travam comércio bilateral
As sanções tarifárias anunciadas há dois meses pelo presidente Donald Trump impactam setores estratégicos para a balança comercial brasileira. Produtores rurais e indústrias de base veem a elevação dos custos de entrada no mercado norte-americano como obstáculo imediato à competitividade. Em meio a essa pressão, Brasília cobrou a revisão das medidas, destacando que a imposição foi unilateral e desconsiderou acordos já firmados no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
No encontro desta quinta, Vieira apresentou dados sobre perdas estimadas e reforçou que o Brasil busca solução “rápida e objetiva”. Segundo o ministro, a linha defendida pelo Itamaraty permanece ancorada no princípio da reciprocidade e na preservação da soberania nacional. Apesar do tom cordial na reunião, Rubio não adiantou prazos nem condições para a eventual revogação total ou parcial das tarifas.
Além das sobretaxas, os dois governos abordaram as sanções individuais aplicadas pelos EUA contra autoridades brasileiras. O chanceler não detalhou o teor dessa parte da conversa, mas sinalizou que a lista de punições entrou na mesma pauta comercial, a fim de retirar entraves que afetam a relação institucional entre os países.
Próximos passos: cúpula Lula-Trump e foco em soberania
Vieira confirmou que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump pretendem se encontrar “em breve”, mas não mencionou data nem local. Segundo o ministro, a expectativa é que a cúpula presidencial consolide a negociação técnica conduzida pelo Itamaraty e pelo Departamento de Estado. Para o governo brasileiro, o diálogo no mais alto nível pode acelerar a revisão tarifária e restabelecer o ritmo do comércio bilateral.
A suspensão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, concluída recentemente, também repercute nas tratativas. Sem a pendência jurídica, interlocutores de Brasília acreditam que o ambiente para conversas comerciais ganha espaço, despindo o tema de abordagens políticas que vinham travando avanços desde agosto.


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Questionado sobre pressões americanas relacionadas a processos internos do Brasil, Vieira respondeu que o governo “não aceita condicionantes que afrontem a autonomia nacional”. Ele reiterou que qualquer entendimento com Washington deve respeitar as instituições brasileiras e o livre funcionamento dos poderes.
Em paralelo, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou, nesta semana, que “houve progresso” após trocas telefônicas entre Lula e Trump. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços acompanha de perto a evolução do caso, preparando estudos de impacto para subsidiar futuros acordos de redução tarifária.

Imagem: Tânia Rêgo
No Congresso, o deputado Motta articulou urgência para o projeto de lei que proíbe cobrança adicional por bagagem de mão em voos domésticos. A iniciativa ganhou força diante do debate sobre tarifas internacionais, reforçando o discurso de que consumidores e produtores não devem arcar com custos extra impostos por decisões externas.
Avaliação e cenário imediato
Embora o governo evite antecipar resultados, o próprio Itamaraty considera a reunião “decisiva” para destravar o calendário de negociações. Analistas das duas chancelarias apontam que os trabalhos técnicos prosseguem nas próximas semanas, com videoconferências periódicas e troca de documentos sobre setores sensíveis.
Até que haja definição, exportadores brasileiros mantêm planos de contingência para mitigar o impacto do tarifaço. Entre as alternativas, estão redirecionar parte da produção para mercados da Ásia e do Oriente Médio e revisar contratos de curto prazo com parceiros norte-americanos.
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Em resumo, o encontro entre Mauro Vieira e Marco Rubio recolocou as tarifas americanas na mesa de negociações e abriu caminho para um possível entendimento presidencial. Acompanhe nossos próximos conteúdos e fique por dentro de cada avanço ou recuo na disputa comercial. Sua leitura é essencial para fortalecer o debate público.
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