O empresário e jornalista Paulo Figueiredo Filho afirmou que o posicionamento isolado do ministro Luiz Fux, ao absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), não modifica a estratégia traçada por ele e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. A dupla atua em Washington para convencer congressistas republicanos a reagirem politicamente contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Pressão em Washington continua
Em declaração ao portal Metrópoles, Figueiredo foi direto: “O voto está sendo acompanhado, mas não muda nada aqui”. Segundo ele, o trabalho nos EUA segue sustentado pelo peso político de sua própria palavra e pela influência de Eduardo Bolsonaro entre parlamentares próximos ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo é sensibilizar a Casa Branca e o Congresso para adotarem eventuais sanções diplomáticas ou econômicas contra autoridades brasileiras e empresas alinhadas ao Palácio do Planalto.
A movimentação ocorre em paralelo ao processo que, na semana passada, resultou na condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por suposta liderança de tentativa de golpe de Estado em 2022. A Primeira Turma do STF formou placar de 4 a 1 pela condenação do ex-chefe do Executivo e de outros sete réus apontados como núcleo central da alegada conspiração.
Voto isolado de Fux e repercussão
O ministro Luiz Fux divergiu da maioria. Ele defendeu a condenação apenas do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e do general Walter Braga Netto pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, absolvendo os demais acusados, inclusive Bolsonaro. Ainda que a posição de Fux represente minoria no colegiado, Figueiredo avalia que o fato não influencia a narrativa que pretende firmar em solo norte-americano.
“O que tem o voto do Fux a ver com Washington?”, questionou o empresário, reforçando que o foco da ofensiva é mostrar aos republicanos que a condenação do ex-presidente é fruto de perseguição política e não de provas conclusivas. Com isso, a corrente bolsonarista busca enquadrar o julgamento no STF como elemento de disputa ideológica internacional, transformando-o em ponto de choque entre a administração Biden e um eventual futuro governo republicano.
Aliança com republicanos de Trump
A estratégia de Figueiredo e Eduardo Bolsonaro se ancora no apoio de figuras republicanas ligadas a Donald Trump, especialmente parlamentares que já demonstraram simpatia pelo ex-mandatário brasileiro. A articulação envolve reuniões em comissões do Congresso, participação em eventos conservadores e uso de canais de mídia norte-americanos para ampliar a repercussão do caso.


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Nos bastidores, aliados de Bolsonaro apostam que o endurecimento contra o Planalto pode se tornar pauta de campanha nos EUA, a exemplo do discurso republicano sobre direitos humanos e liberdade religiosa em outros países. Dessa forma, a condenação do ex-presidente seria explorada como possível violação de garantias democráticas e justificativa para retaliações comerciais, restrição de investimentos ou suspensão de cooperação militar.
Reação do governo brasileiro
Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou oficialmente sobre a mobilização bolsonarista em Washington. Dentro do governo Lula, a avaliação preliminar é de que a iniciativa tem baixo potencial de produzir efeitos práticos imediatos, uma vez que a política externa dos Estados Unidos costuma respeitar decisões judiciais de países parceiros. Ainda assim, auxiliares do Planalto monitoram declarações de legisladores republicanos e eventuais audiências que mencionem o julgamento no STF.
Enquanto isso, os condenados pelo Supremo aguardam eventual análise de recursos. A defesa de Bolsonaro indica que recorrerá a instâncias superiores da própria Corte e poderá acionar organismos internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Figueiredo, por sua vez, reafirma que a dinâmica em Brasília não altera a ofensiva em Washington: “Nossa missão é mostrar que houve exagero jurídico e motivação política”.

Imagem: Internet
Cenário político e próximos passos
Mesmo diante da sentença, lideranças conservadoras pretendem capitalizar o episódio para reforçar a narrativa de cerco judicial ao ex-presidente. A agenda bolsonarista no exterior inclui novos encontros com think tanks alinhados ao Partido Republicano, além de entrevistas em canais de televisão a cabo nos EUA. A expectativa é manter o assunto em pauta até o início do calendário eleitoral norte-americano de 2024, quando o tema pode ganhar relevância adicional.
Paralelamente, a base governista no Congresso brasileiro articula comunicações oficiais para rebater a versão de perseguição política. Deputados do PT e de partidos aliados preparam dossiês para enviar a parlamentares estrangeiros, destacando a autonomia do Judiciário brasileiro e o amplo direito de defesa concedido aos réus.
O embate, portanto, tende a extrapolar as fronteiras nacionais, levando a disputa entre Lula e Bolsonaro para a arena internacional. Figueiredo e Eduardo apostam que a pressão externa pode ajudar a deslegitimar a condenação aos olhos da opinião pública interna, ao mesmo tempo em que cria constrangimentos diplomáticos para o governo petista.
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Em resumo, a divergência isolada do ministro Fux não altera a postura de Paulo Figueiredo Filho e Eduardo Bolsonaro, que seguem empenhados em levar o caso ao centro do debate nos Estados Unidos. Acompanhe nossos próximos artigos e mantenha-se informado sobre cada passo dessa disputa internacional.
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