Brasília, 14 out. 2025 — Dois meses depois de lançar a pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), intensificou agendas pelo Brasil, mas ainda não converteu a exposição em crescimento consistente nas sondagens eleitorais para 2026.
Pré-candidatura sai na frente, mas alcance segue restrito
Zema anunciou a intenção de concorrer à Presidência em 18 de agosto, antecipando-se a outros nomes da direita. Desde então, tem percorrido capitais e cidades-polo para apresentar o histórico de gestão no setor privado e os resultados obtidos em quase sete anos à frente do Executivo mineiro. Os encontros, porém, ocorrem em ambientes controlados — associações comerciais, entidades de classe e reuniões a portas fechadas com lideranças locais — limitando o contato direto com o eleitorado mais amplo.
Esse formato ajuda a explicar por que o governador ainda não rompeu a barreira do desconhecimento nacional. Levantamento Genial/Quaest, divulgado em 8 de outubro, aponta que 52% dos brasileiros afirmam não conhecer Zema; em janeiro o índice era de 62%. Mesmo com a queda de dez pontos na taxa de desconhecimento, a intenção de voto não avançou: caiu de 15% para 14% entre os que dizem conhecê-lo e apoiá-lo.
Quando o instituto apresentou cenários estimulados, o desempenho de Zema variou entre 3% e 5% em quatro combinações. O melhor resultado apareceu quando a disputa incluiu apenas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Eduardo Bolsonaro (PL): 11% das intenções para o mineiro. Governadores que ainda avaliam a corrida, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Junior (PSD), registraram 19% e 17%, respectivamente. Ronaldo Caiado (União Brasil) marcou 10%.
No eventual segundo turno contra o petista, Zema alcançou 32% ante 47% de Lula, oscilando um ponto para baixo em relação à pesquisa de maio. A coleta ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios, entre 2 e 5 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Desafios estruturais e possíveis composições
Analistas identificam três obstáculos centrais para o mineiro: ampliar o reconhecimento fora de Minas, dialogar com o eleitorado fiel a Jair Bolsonaro e contar com uma máquina partidária robusta. O Novo, partido de Zema, elegeu apenas três deputados federais em 2022, não dispõe de diretórios consolidados em todo o território nacional e obteve desempenho modesto em pleitos presidenciais anteriores — 2,5% dos votos válidos em 2018 e 0,47% em 2022.


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Diante dessas limitações, articulações com siglas de maior capilaridade ganharam força. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, líder tradicional do centrão, busca construir uma candidatura de direita viável. O “plano A” é Tarcísio de Freitas; Ratinho Junior desponta como alternativa imediata. Zema, por ora, não figura como cabeça de chapa preferencial, mas passou a ser cotado para vice em eventual composição.
A reunião reservada entre Zema e Kassab, realizada em Belo Horizonte no início de outubro, reforçou essa leitura. Embora nenhum detalhe tenha sido divulgado, interlocutores relatam discussão sobre palanques estaduais e a situação mineira. A possível filiação do vice-governador Mateus Simões — homem de confiança de Zema — ao PSD é interpretada como peça chave: daria legenda mais robusta à tentativa de Simões suceder o chefe no governo de Minas em 2026 e ofertaria a Kassab acesso ao segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de votantes.
Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec Belo Horizonte, a aliança com o PSD resolveria dois pontos sensíveis: estrutura nacional para Zema e palanque forte em Minas para a direção da sigla. De quebra, dificultaria o avanço do PT no estado, já que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) perderia espaço caso a legenda feche com o Novo.
Cerqueira avalia que Zema mantém perfil executivo e não descarta compor chapa na condição de vice, desde que assuma papel ativo na coordenação da campanha. A alternativa de disputar o Senado, embora viável, não aparece como prioridade declarada.

Imagem: Gil Leardi
Estratégia para romper a estagnação
Nos bastidores, assessores discutem ampliar a exposição com eventos abertos, presença em rádios regionais e participação segmentada em redes sociais, buscando o eleitor conservador fora dos grandes centros. Integrar a agenda de Tarcísio ou Ratinho em compromissos conjuntos também é cogitado, como forma de compartilhar palanques e reduzir custos.
Enquanto isso, Lula preserva índices elevados de intenção de voto, favorecido pelo reconhecimento de marca e pela máquina federal. Para qualquer candidato de oposição, inclusive Zema, a disputa exigirá discurso claro de contraste de gestão e capacidade de capilaridade nacional — atributo ainda ausente no projeto do Novo isoladamente.
Se a articulação com o PSD avançar, Zema ganha tempo para se tornar figura familiar em praças onde hoje é desconhecido. Caso contrário, precisará multiplicar viagens, reforçar comunicação digital e buscar coligações além da própria legendinha, sob pena de repetir os números modestos de João Amoêdo e Felipe D’Ávila.
Em síntese, o governador mineiro largou na frente ao assumir publicamente a pretensão presidencial, mas enfrenta o desafio de converter notoriedade regional em competitividade nacional. As próximas semanas, marcadas por negociações partidárias, indicarão se o nome de Romeu Zema continuará como opção principal da direita ou se cumprirá papel de coadjuvante em chapa mais ampla.
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