Investigações de forças policiais e órgãos de fiscalização revelam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras facções urbanas já operam dentro do agronegócio, movimentando cifras milionárias por meio de falsificação de insumos, aquisição irregular de propriedades e controle de usinas sucroalcooleiras.
Compra de fazendas e domínio de usinas de etanol
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto por Receita Federal, Ministérios Públicos e polícias de São Paulo, apontou que integrantes do PCC controlavam quatro usinas produtoras de etanol de cana-de-açúcar e negociavam a compra de outras duas. O grupo também manejava seis fazendas avaliadas em R$ 31 milhões, utilizando fundos de investimento de cotista único para ocultar a origem do capital.
Segundo a Receita, a facção montou uma cadeia completa: da aquisição de matéria-prima à distribuição de combustível adulterado, com frota própria de 1,6 mil caminhões. O esquema incluía sonegação fiscal, uso de laranjas e ameaça de morte a proprietários que resistiam à venda de terras ou cobravam valores devidos.
Autoridades investigam ainda a possibilidade de incêndios em canaviais paulistas, em 2024, terem sido ordenados pelo PCC como forma de pressionar produtores a ceder áreas estratégicas. As queimadas atingiram 80 mil hectares e geraram prejuízo estimado em R$ 1 bilhão.
Mercado clandestino de defensivos químicos
No ramo de insumos agrícolas, o PCC foi ligado a uma rede de falsificação e distribuição de agrotóxicos com alcance nacional. A descoberta ocorreu na Operação Castelo de Areia, conduzida pelo Gaeco de Franca (SP). As equipes identificaram nove núcleos autônomos dedicados à produção de embalagens falsas, emissão de notas fiscais frias, logística e venda on-line de produtos adulterados.
Em julho, agentes apreenderam mais de 30 mil embalagens que permitiriam a comercialização irregular de 155 mil litros de defensivos, equivalente a um prejuízo superior a R$ 30 milhões para o mercado formal. Análises laboratoriais indicaram misturas de água, solventes e pequenas quantidades de princípio ativo, comprometendo produtividade, meio ambiente e saúde de trabalhadores rurais.


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Estimativas do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras apontam que até 25% do mercado brasileiro de defensivos é dominado por produtos ilegais, resultando em perdas de R$ 28 bilhões por ano. Cerca de metade desse volume corresponde a mercadorias contrabandeadas de países vizinhos, como Paraguai e Bolívia, onde determinadas substâncias permanecem liberadas.
Rotas de contrabando e violência no campo
Facções aproveitam corredores já utilizados para tráfico de drogas, cigarros e armas a fim de escoar agrotóxicos irregulares. Em 2 de novembro, operação conjunta entre Polícia Militar de Goiás e Alfândega de Foz do Iguaçu apreendeu 32 toneladas de defensivos vindos da China e do Paraguai, maior captura do gênero em 2025.
Roubo e furto de pesticidas em fazendas e depósitos também são alvo das organizações. Registros desde 2016 ligam o PCC a quadrilhas que invadem propriedades, retiram cargas valiosas e revendem o material ou o adulteram para multiplicar o lucro.
Autoridades relatam ainda cobranças de “taxas” de proteção a produtores, uso de drones para localizar estoques e coação armada em regiões com baixa presença policial.

Imagem: criada utilizando Dall-E
Bancada ruralista pressiona por reforço na segurança
Diante da expansão do crime organizado no campo, a Frente Parlamentar da Agropecuária apresentou pacote legislativo que prevê delegacias especializadas em delitos rurais, Programa Nacional de Segurança no Campo e restrição de benefícios públicos a condenados por invasão de propriedades. O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (PP-PR), argumenta que proteger a produção agrícola é condição para preservar 25% do Produto Interno Bruto nacional.
No estado de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública criou Grupos de Investigação em Áreas Rurais e promove a Operação Safra Segura, com foco em furtos de gado, máquinas e insumos. O secretário Guilherme Derrite destaca a necessidade de integração entre inteligência, tecnologia e ação ostensiva para impedir que dinheiro ilícito circule travestido de atividade lícita.
Capacitação e fiscalização
Entidades do setor, como a CropLife Brasil, apontam déficit de pessoal especializado para fiscalizar rotas de insumos e identificar fraudes. Em parceria com a Universidade de São Paulo, a associação oferece curso semestral de formação a agentes de segurança pública de todo o país, com apoio do Ministério da Justiça.
Para Nilto Mendes, gerente da CropLife, a combinação de extensa fronteira, demanda elevada por insumos e lacunas regulatórias torna o agronegócio atraente às facções. “Onde há grande volume econômico, o crime vê oportunidade”, resume.
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Em síntese, o avanço de facções no agronegócio expõe a necessidade de fiscalização constante, legislação eficaz e ação integrada entre governo, setor produtivo e sociedade. Continue informado e compartilhe esta reportagem para fortalecer o debate sobre segurança no campo.
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