Cartel de los Soles — expressão que ganhou força nos últimos anos — voltou ao centro do noticiário internacional depois de o senador e secretário de Estado norte-americano Marco Rubio anunciar que Washington pretende enquadrar o grupo como “organização terrorista estrangeira” (FTO). A decisão, segundo o governo dos EUA, mira uma suposta rede de narcotráfico liderada pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro. Neste artigo, você descobrirá como o cartel surgiu, quais critérios sustentam a nova classificação, as implicações legais e econômicas da medida, além de cenários possíveis para a segurança regional. Prepare-se para entender, com exemplos práticos e dados concretos, por que esta designação pode redesenhar o tabuleiro da América Latina.
1. Origens e estrutura do Cartel de los Soles
Raízes históricas
O termo “Cartel de los Soles” foi usado pela primeira vez na década de 1990 para apontar a participação de oficiais da Guarda Nacional Venezuelana em esquemas de narcotráfico. O “sol” faz referência aos raios dourados presentes nas divisas de generais, sugerindo que altos comandos militares estariam no esquema. Ainda que não exista consenso acadêmico sobre o momento exato de formação, relatórios da DEA apontam que a rede se fortaleceu após a ascensão de Hugo Chávez (1999), quando as Forças Armadas passaram a desempenhar papel central na economia e na segurança interna do país.
Evolução recente
De 2010 em diante, investigações independentes — como o estudo de Jeremy McDermott, do Insight Crime — mapearam uma profissionalização na cadeia logística. A fragmentação de cartéis colombianos, a deterioração das instituições venezuelanas e a crise econômica criaram o ambiente perfeito para o crescimento do Cartel de los Soles. Hoje, analistas identificam três níveis na estrutura:
- Comando político-militar: oficiais e líderes civis ligados ao Palácio de Miraflores.
- Rede de transporte: unidades das Forças Armadas que controlam aeroportos, portos e rotas terrestres.
- Parceiros criminosos: grupos como as dissidências das FARC e, mais recentemente, o Tren de Aragua.
Em 2023, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime estimou que 240 toneladas de cocaína passaram pela Venezuela, volume 35 % maior do que em 2020.
2. Por que os EUA decidiram classificar o cartel como organização terrorista
Critérios legais de designação FTO
De acordo com a Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA, três condições devem ser atendidas para que um grupo seja rotulado como FTO: (1) ser organização estrangeira, (2) envolver-se em “atividades terroristas” e (3) representar ameaça à segurança dos EUA ou de seus cidadãos. Para o Departamento de Estado, o Cartel de los Soles cumpre os três requisitos ao colaborar com grupos já sancionados — Hezbollah, ELN e FARC — facilitando treinamentos, rotas e lavagem de dinheiro.
Motivações políticas e de segurança
Analistas de think tanks como o Wilson Center argumentam que a Casa Branca quer ampliar o leque de pressões sobre Maduro, ao mesmo tempo em que busca conter a epidemia de fentanil e cocaína que mata 100 mil norte-americanos por ano. A retórica de Rubio sinaliza também a perspectiva de ações marítimas mais robustas no Caribe, repetindo operações conjuntas (como a Enhanced Counter Narcotics, de 2020) que contribuíram para apreensões recordes.
Uma designação FTO exige relatório anual ao Congresso. Se não houver avanços, a pressão interna nos EUA por medidas militares tende a subir, transformando o tema em pauta eleitoral.
3. Implicações jurídicas, financeiras e diplomáticas
Bloqueio de ativos e penalidades criminais
Com a classificação terrorista, o Office of Foreign Assets Control (OFAC) congela todos os bens e interesses do cartel em jurisdição americana. Além disso, torna-se crime “fornecer apoio material” — bens, serviços, assessoria técnica — sob pena de até 20 anos de prisão. Bancos internacionais que facilitarem transações em dólares correm risco de multas bilionárias, fenômeno já visto no caso do BNP Paribas (2014).


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Efeito cascata em parceiros e empresas
Empresas de logística, seguradoras marítimas e refinarias que importam petróleo venezuelano precisarão atualizar procedimentos de compliance. A violação do Patriot Act pode resultar em perda de licença nos EUA. Há precedentes: entre 2019 e 2021, mais de 40 embarcações foram sancionadas por negociar com a PDVSA.
- Restrição de vistos para familiares de suspeitos
- Bloqueio de contas em bancos europeus interligados a sistema SWIFT
- Perda de benefícios tarifários em acordos regionais
- Suspensão de linhas de crédito de agências multilaterais
- Limitação de seguro-viagem para rotas aéreas venezuelanas
Em 48 horas após a fala de Rubio, o bono PDV 2038 caiu 6 %, sinalizando fuga de investidores que temem novas sanções.
4. Impacto regional: América Latina, Caribe e Europa
Mudanças nas rotas de narcotráfico
Sob pressão, cartéis tendem a migrar suas operações. Estudos do UNODC mostram que, quando a Colômbia reforçou a vigilância aérea em 2015, aumentou em 18 % o fluxo marítimo via Guiana e Suriname. A designação FTO pode reproduzir efeito semelhante, levando cargas a partir de Aruba, Curaçao e até portos do nordeste brasileiro, onde a fiscalização ainda é fragmentada.
Colaborações transnacionais
O fortalecimento de alianças como Cartel Jalisco Nueva Generación (México) e facções brasileiras (PCC, CV) é observado por serviços de inteligência. A lógica é simples: grupos locais oferecem infraestrutura (docas, aeroportos clandestinos) em troca de parte do carregamento.
| Elemento analisado | Crime organizado tradicional | Organização FTO |
|---|---|---|
| Base legal para sanção | Kingpin Act (1999) | Lei de Imigração §219 |
| Congelamento de ativos | Só nos EUA | Global via coalizões |
| Apoio material | Multa administrativa | Pena criminal até 20 anos |
| Extradição de membros | Necessita tratado bilateral | Possível via Lei Antiterror |
| Pressão militar | Operações antinarcóticos | Autoriza ação antiterror |
5. Repercussões militares e de segurança
Escalada no Caribe
Navios da IV Frota intensificaram patrulhas no Golfo da Venezuela. A doutrina de “negação marítima” visa interceptar go-fast boats que partem de portos de Falcón. Segundo o Comando Sul, 15 embarcações foram apreendidas apenas no primeiro trimestre de 2024.
Listagem numerada de possíveis ações táticas
- Ampliação da Operação Martillo, envolvendo Colômbia e Costa Rica.
- Uso de drones MQ-9 Reaper para vigilância em águas internacionais.
- Compartilhamento de inteligência em tempo real via plataforma Reachback.
- Adoção de bloqueios legais para abastecimento de combustíveis a navios suspeitos.
- Treinamentos conjuntos de Guarda Costeira dos EUA com Trinidad & Tobago.
- Sanções secundárias contra estaleiros que prestem manutenção a barcos do cartel.
- Interdição de voos de carga que decolam de Maiquetía rumo ao Sahel africano.
“A rotulagem do Cartel de los Soles como FTO quebra a barreira entre política antidrogas e contraterrorismo. Isso permite instrumentos mais robustos, mas também aumenta o risco de confrontos diretos com forças estatais venezuelanas.”
— Douglas Farah, pesquisador sênior do National Defense University
6. Cenários futuros e recomendações de política
Caminhos possíveis
Especialistas projetam três cenários para os próximos 24 meses: (A) Dissuasão bem-sucedida, em que sanções minam a cadeia financeira do cartel; (B) Reacomodação criminal, com deslocamento para países vizinhos; (C) Confronto aberto entre EUA e forças de Maduro, catalisando crise humanitária.
Recomendações
Para evitar agravamento, organismos regionais — OEA, CAN e Mercosul — podem adotar protocolo comum de controle de cargas. Do lado empresarial, indústrias de navegação precisam reforçar auditorias de know your customer e treinar funcionários para detectar red flags.
- Criação de corredor humanitário na fronteira Colômbia–Venezuela
- Ampliação de radares de baixa altitude na Amazônia
- Integração de bases de dados alfandegários na ALADI
- Programas de substituição de cultivos ilícitos financiados pelo BID
- Campanhas de prevenção ao consumo de cocaína base em escolas
Link: EUA classificam cartel venezuelano, supostamente liderado por Maduro, como terrorista – SEM RODEIOS
FAQ – Perguntas mais frequentes
1. O que significa ser FTO?
Significa que o grupo é considerado terrorista estrangeiro pelo governo dos EUA, ativando sanções financeiras e criminais.
2. Nicolás Maduro pode ser alvo direto?
Sim. A acusação vincula o presidente à liderança do cartel, abrindo caminho para denúncia internacional.
3. Isso justifica intervenção militar?
Não automaticamente, mas amplia a base legal para operações de contraterrorismo.
4. Quais países já sofreram designação similar?
O Talibã, Hamas e o Hezbollah são exemplos de organizações listadas que exercem poder territorial.
5. Empresas brasileiras correm risco?
Sim, caso transportem cargas venezuelanas sem due diligence podem sofrer sanções secundárias.
6. Há impacto nos refugiados venezuelanos?
Possivelmente. A crise econômica pode piorar, elevando o fluxo migratório.
7. Qual o papel das Nações Unidas?
A ONU pode apoiar investigações e coordenar ajuda humanitária, mas não impõe sanções automáticas.
8. A designação pode ser revogada?
Sim, mediante revisão quadrienal ou mudança comprovada de comportamento do grupo.
Conclusão
Este artigo mostrou que:
- A designação do Cartel de los Soles como FTO combina evidências de narcotráfico e ligações terroristas.
- As consequências vão de bloqueios financeiros a potenciais operações militares.
- O impacto regional inclui migração de rotas criminosas e tensões diplomáticas.
- Empresas e governos devem adotar protocolos de compliance mais rígidos.
Quer acompanhar desdobramentos em tempo real? Assine o canal da Gazeta do Povo e ative as notificações. Informação de qualidade é o melhor antídoto contra a desinformação.
Créditos: Análise baseada no vídeo “EUA classificam cartel venezuelano, supostamente liderado por Maduro, como terrorista – SEM RODEIOS”, do canal Gazeta do Povo.


