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Preta Gil levou voz ao Congresso em defesa do casamento igualitário e manteve luta contra o racismo até seus últimos dias

Entretenimento

Preta Gil, cantora, compositora e atriz que se assumiu bissexual ainda no início da carreira, protagonizou um dos momentos mais emblemáticos da discussão sobre direitos civis no Brasil ao comparecer ao Congresso Nacional, em 2011, para apoiar a regulamentação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A artista morreu no último domingo (20) em Nova York, onde se submetia a tratamento contra um câncer no intestino. Reconhecida pela atuação firme em causas sociais, ela deixa uma trajetória marcada pelo engajamento em favor da população LGBTQIA+ e pelo combate ao racismo.

O ato em Brasília ocorreu pouco antes de o Supremo Tribunal Federal reconhecer a união estável homoafetiva. Convidada para um seminário na Câmara dos Deputados, Preta defendeu alteração no Código Civil que igualasse o direito ao casamento. Na ocasião, lembrou ter sido alvo de ataques por assumir a bissexualidade, mas ressaltou que encarava o episódio como parte de seu dever de cidadã. “Estou aqui como mulher e cidadã para somar forças”, afirmou então. A presença de uma artista de projeção nacional deu visibilidade extra ao debate, em um cenário político ainda reticente a mudanças legais de alcance nacional.

Além da pauta de direitos LGBTQIA+, Preta mobilizou redes sociais e veículos de comunicação para denunciar racismo. Ela relatou ter recebido mensagens virtuais com ofensas como “macaca” e menções a senzalas, classificando a agressão como organizada e mais violenta do que já havia experimentado. A repercussão do caso contribuiu para a discussão sobre crimes de ódio na internet e reforçou a necessidade de mecanismos de responsabilização para ataques virtuais.

A artista estava nos Estados Unidos para um protocolo de tratamento intensivo contra câncer no intestino quando veio a falecer. O corpo será transportado ao Brasil nos próximos dias, e a família ainda definirá datas e locais das cerimônias de despedida. A repatriação segue procedimentos que incluem liberação pelas autoridades locais, preparação do caixão segundo normas internacionais e emissão de documentos consulares.

Com carreira iniciada em 2003, Preta Gil deixa 12 obras musicais autorais e 271 regravações como intérprete em diferentes projetos de estúdio e ao vivo. Entre os trabalhos mais populares estão “Sinais de Fogo”, “Stereo” e a releitura de “Andar com Fé”. Em uma de suas últimas apresentações, dividiu o palco com o pai, Gilberto Gil, emocionando público e familiares em um encontro marcado por lágrimas e aplausos.

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O impacto da morte provocou manifestações de pesar em todo o universo artístico. Caetano Veloso declarou que a perda era “muito difícil de aguentar” e destacou a força da cantora. Mensagens semelhantes foram publicadas por colegas de profissão, produtores culturais e representantes de movimentos sociais que atuaram ao lado dela em campanhas pela tolerância e pela igualdade de direitos.

Preta também enfrentou dramas pessoais que influenciaram rumos da carreira. A morte de seu irmão Pedro Gil, em 1990, quase a afastou definitivamente da música. Em entrevistas, contou ter ficado “rebelde” e “perdida” após a tragédia, mas encontrou na arte uma forma de ressignificar o luto. A decisão de prosseguir no meio artístico ajudou a consolidar a figura de uma mulher que atrela trajetória profissional a posicionamentos públicos.

Nascida no Rio de Janeiro em 8 de agosto de 1974, Preta Maria Gadelha Gil Moreira cresceu em ambiente musical. Filha de Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, viveu parte da infância na Bahia e participou, ainda adolescente, de turnês do pai, experiência que moldou sua relação com o palco. A estreia solo viria apenas na vida adulta, mas rapidamente atraiu atenção pela mistura de pop, MPB, funk e samba.

O capítulo no Congresso em 2011 permanece como um marco de sua militância. Embora o tema do casamento igualitário ainda encontre resistência legislativa, a mobilização daquele período impulsionou decisões judiciais que hoje garantem o direito de casais homoafetivos registrarem união civil em cartórios. A participação de figuras públicas como Preta Gil foi considerada estratégica para ampliar o alcance do debate além dos círculos políticos tradicionais.

Entre a atuação em defesa de minorias, a exposição de agressões racistas e a luta contra o câncer, Preta manteve agenda cheia até poucos meses antes da morte. Participou de campanhas de conscientização sobre exames preventivos de saúde, gravou participações em projetos musicais de amigos e fez aparições em programas de televisão para falar abertamente sobre a doença. Mesmo debilitada, reiterava que continuar em atividade fazia parte de sua motivação pessoal.

Ao combinar carreira artística e ativismo, Preta Gil construiu imagem de porta-voz de diferentes causas, especialmente das populações historicamente marginalizadas. Sua presença no Congresso há 12 anos, seu enfrentamento ao racismo digital e a insistência em cantar e compor nas fases mais difíceis reforçam o legado deixado à cultura brasileira e aos movimentos sociais que defendem igualdade de direitos.

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