Brasília, 14 de março — O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestou disposição para receber, em sua residência onde cumpre prisão domiciliar, o recém-eleito presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A informação foi divulgada pelo líder da oposição na Casa, deputado Tenente-Coronel Zucco (PL-RS), após encontro pessoal com o ex-chefe do Executivo.
Visita prioritária de lideranças políticas
De acordo com Zucco, Bolsonaro colocou a futura visita de Motta no topo da lista de prioridades enviadas à sua defesa. O político gaúcho destacou que o ex-presidente foi “um dos principais articuladores” do respaldo conferido pelos partidos de oposição à candidatura de Motta para o comando da Câmara. Por essa razão, considera “natural” que a primeira agenda na residência de Bolsonaro seja justamente com o novo dirigente da Casa.
O parlamentar acrescentou que a equipe de advogados responsável por acompanhar as restrições judiciais de Bolsonaro deverá formalizar o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) tão logo as tratativas estejam concluídas. Desde que recebeu ordem de prisão domiciliar, o ex-presidente necessita de autorização prévia para realizar qualquer reunião presencial.
Conversas sobre anistia, foro privilegiado e impeachment
No encontro, Zucco relatou ter abordado temas em tramitação no Congresso — entre eles o projeto de anistia a manifestantes de 8 de janeiro, a extinção do foro privilegiado e o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, protocolado no Senado. Segundo o líder oposicionista, Bolsonaro demonstrou interesse em acompanhar o desfecho dessas pautas e reiterou confiança na base aliada para conduzi-las.
Zucco descreveu o ex-presidente como “abatido” e com a “saúde debilitada”, porém “firme em suas convicções”. Ainda conforme o deputado, a conversa girou em torno de possíveis irregularidades atribuídas ao ministro Moraes, entre elas a existência de uma suposta estrutura paralela destinada a monitorar publicações em redes sociais e a ordenar prisões com base nesse material.
Cartas a diplomatas e pressão externa
O deputado afirmou que as alegações contra Moraes vêm sendo documentadas por jornalistas independentes e serão entregues a representações estrangeiras. “Temos mais de 80 cartas prontas para encaminhar”, declarou, acrescentando que reuniões com diplomatas sediados em Brasília já estão agendadas. A intenção da oposição é obter apoio internacional para questionar decisões que, em sua avaliação, afrontam garantias constitucionais.


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Crítica à política externa de Lula
Zucco também comentou a condução da política externa do governo Lula. Na visão do parlamentar, a estagnação econômica só será revertida com “o restabelecimento pleno” das relações comerciais com Washington. Ele defendeu uma ligação direta entre o presidente brasileiro e o ex-mandatário norte-americano Donald Trump, argumentando que o gesto abriria caminho para novos acordos bilaterais em setores estratégicos.
Embora Trump não ocupe atualmente a Casa Branca, o líder da oposição vê no republicano uma ponte sólida com diferentes setores conservadores dos Estados Unidos, influentes no Congresso e no empresariado daquele país. Conforme Zucco, “retomar o diálogo” seria fundamental para destravar investimentos e ampliar as exportações brasileiras.
Próximos passos e expectativas
A defesa de Bolsonaro deve protocolar, nos próximos dias, o pedido formal para que Hugo Motta o visite. Caso autorizado, a reunião contará com horário e número de participantes delimitados pela Justiça, seguindo as condições impostas à prisão domiciliar. Paralelamente, Zucco pretende intensificar a coleta de assinaturas para acelerar o andamento das proposições legislativas debatidas com o ex-presidente.
Nos bastidores da Câmara, aliados de Bolsonaro avaliam que o apoio inicial à eleição de Motta pode se refletir em maior abertura para pautas apreciadas pela direita, sobretudo aquelas voltadas à segurança jurídica de manifestantes, ao combate a privilégios e à revisão de decisões originadas no Supremo. A visita, portanto, é considerada passo simbólico para reforçar a coesão do bloco oposicionista.


