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Aliados orientam Bolsonaro a acompanhar julgamento do STF em casa

Política

Ex-presidentes brasileiros jamais enfrentaram julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto estavam em prisão domiciliar. Jair Bolsonaro poderá inaugurar essa situação a partir desta terça-feira (3), quando a Corte iniciará a análise da denúncia sobre suposta tentativa de golpe de Estado. O entorno político, jurídico e familiar do ex-mandatário aconselha que ele assista às sessões de casa, evitando exposição pública e preservando a saúde debilitada.

Saúde frágil pesa na decisão

Médicos que acompanham Bolsonaro relatam recorrência de esofagite, crises de soluços e vômitos. O quadro, segundo familiares, reduziu o apetite e provocou perda de peso. Carlos Bolsonaro (PL-RJ), vereador e filho do ex-presidente, visitou o pai na última sexta-feira e descreveu o estado físico como “magro” e “sem vontade de se alimentar”.

Desde agosto, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar imposta pelo STF. Nesta condição, ele pode acompanhar virtualmente qualquer sessão do tribunal. Profissionais de saúde, familiares e advogados defendem que a via remota seja adotada para evitar deslocamentos, estresse adicional e eventuais complicações clínicas.

Apesar dos alertas médicos, aliados observam que a palavra final permanece com o próprio Bolsonaro. Há quem avalie que comparecer presencialmente ao Supremo representaria demonstração de força à base de apoiadores, especialmente diante do simbolismo do 7 de Setembro, data historicamente incorporada a manifestações favoráveis ao ex-chefe do Executivo.

Estratégias políticas no Congresso

A orientação para ausência no plenário do STF é acompanhada por movimentos políticos em Brasília. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, afirmou que não pretende se inscrever para representar Bolsonaro na sessão inicial. Para o senador, “a única opção de mudarmos o jogo é no parlamento com a anistia”.

Na Câmara, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), adiantou que solicitará na reunião de líderes de terça-feira a inclusão na pauta de um projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A iniciativa enfrenta resistência de partidos de centro e de esquerda, mas serve como sinal de mobilização da oposição em torno do ex-presidente.

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Processo envolve nomes do núcleo militar

Além de Bolsonaro, o chamado “núcleo 1” da ação penal reúne Alexandre Ramagem, Almir Garnier Santos, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto. O grupo responde pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e participação em organização criminosa armada. Ramagem teve suspensas acusações de dano qualificado e deterioração de patrimônio público.

O Supremo reforçou a segurança interna e a coordenação com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. O objetivo é prevenir tumultos durante a semana do julgamento e diante da proximidade do feriado nacional. O tribunal lembra episódios de tensão registrados em Brasília nos anos de 2021 e 2022, quando manifestações ameaçaram ultrapassar barreiras de segurança.

Expectativa para o primeiro dia de julgamento

Na terça-feira, a Corte deve iniciar a sessão com a leitura do relatório, seguida pela sustentação oral da acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República. A defesa dos réus terá tempo equivalente. O voto do relator, conhecido antecipadamente por meio do resumo disponibilizado aos ministros, abrirá a fase de julgamento de mérito. A tendência é que o caso não seja decidido em um único dia, estendendo-se ao longo da semana ou sendo interrompido por pedido de vista.

Juristas próximos a Bolsonaro apontam que a estratégia de defesa se concentrará em contestar a competência do STF e exigir provas de ato concreto do ex-presidente que configure tentativa de golpe. A defesa também deve argumentar que declarações políticas, ainda que firmes, não equivalem a ações executivas para abolir o regime democrático.

Cálculo político e imagem pública

Se optar por permanecer em casa, Bolsonaro evitará exposição a eventuais protestos ou provocações nas dependências do STF. Ao mesmo tempo, corre o risco de ser criticado por adversários que interpretarão a ausência como sinal de fragilidade. Para a base conservadora, contudo, o cuidado com a saúde tem peso relevante, e a prioridade é assegurar condição plena para os desdobramentos jurídicos futuros.

Parceiros partidários avaliam que a disputa judicial deverá ser acompanhada por campanha de comunicação voltada a redes sociais, destacando a narrativa de que não houve tentativa real de golpe e de que processos contra o ex-presidente têm motivação política. Esse enfoque, acreditam, favorece a mobilização da militância até as eleições municipais de 2024.

Para saber como o Congresso pode influenciar o destino do ex-presidente por meio de propostas de anistia e outras pautas, veja também a cobertura em Política.

O julgamento do STF definirá passos decisivos para Bolsonaro e para os demais denunciados, enquanto o campo político prepara movimentos no Legislativo. Acompanhe as próximas sessões e mantenha-se informado sobre as implicações deste processo crucial para o cenário nacional.

Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

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