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Banco Central vê desinflação rápida e sustenta juros altos para garantir meta

Econômia

Jacarta, 23 de maio — O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que o Brasil já atravessa um “processo de desinflação acentuado”. Apesar do avanço, observou que as expectativas para os preços ainda estão acima da meta oficial e exigem manutenção da taxa Selic em patamar elevado e restritivo por período prolongado. A explanação ocorreu no Fórum Econômico Indonésia-Brasil, organizado pela ApexBrasil na capital indonésia.

Inflação recua, mas projeções seguem acima do objetivo

Galípolo informou que o índice de preços ao consumidor apresenta trajetória descendente, reflexo de sequências de ajustes monetários conduzidos pela autoridade. Segundo ele, a inflação brasileira está “relativamente controlada” em comparação a padrões históricos, embora permaneça fora do centro da banda perseguid​a pelo Conselho Monetário Nacional.

O dirigente explicou que o início de 2024 registrou repique inflacionário decorrente de três fatores:

  • desvalorização cambial verificada no primeiro trimestre;
  • mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego baixa;
  • consumo interno robusto, sustentado por crédito e programas de transferência.

Mesmo com esse choque, o núcleo de alimentos, medido em média trimestral dessazonalizada, passou a cair gradualmente. “Há devolução da inflação para níveis próximos ao alvo”, afirmou. As projeções internas apontam aceleração do processo ao longo do segundo semestre.

Juros continuam em terreno contracionista

Para assegurar convergência definitiva dos preços, Galípolo reiterou que a Selic precisará permanecer em nível restritivo. “Ainda que a inflação mostre recuo, as expectativas fora da meta impõem cautela”, disse. O dirigente não mencionou datas ou percentuais, mas reforçou que o colegiado do Banco Central seguirá “diligente e tempestivo” em eventuais ajustes.

O posicionamento corrobora a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, que já havia sinalizado menor espaço para reduções aceleradas no curto prazo. A manutenção de juros altos, segundo o presidente, é condição para preservar a credibilidade do regime de metas e evitar reancoragem de expectativas.

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Crescimento econômico coexistente com desinflação

Galípolo destacou que a economia avança em ritmo consistente, mesmo sob política monetária restritiva. Projeções de mercado revisam para cima o Produto Interno Bruto de 2024, enquanto estimativas preliminares de 2025 apontam “melhor índice de bem-estar econômico” desde a adoção do sistema de metas, em 1999.

Ele citou a combinação de quatro variáveis como sintomática de um quadro positivo:

  • nível de desemprego historicamente baixo;
  • crescimento real do PIB acima de 2% ao ano, segundo consenso;
  • inflação em queda, ainda que fora da meta;
  • ajuste fiscal gradual, considerado essencial para reforçar a eficácia da política monetária.

Para Galípolo, esse conjunto confirma “ciclo de crescimento contínuo”, situação rara em economias emergentes que enfrentam incertezas externas. Ele lembrou que choques de oferta, como variações nos preços de commodities, permanecem no radar, mas acredita que o quadro atual oferece condições para cumprir o objetivo de trazer a inflação de volta ao limite superior da banda em 2025.

BC reforça vigilância e pede disciplina

No encerramento da apresentação, o presidente sublinhou que a autarquia continuará monitorando indicadores de atividade, câmbio e expectativas. Disse ainda que a política fiscal deve seguir responsável para evitar pressões adicionais sobre preços e juros.

Dentro da autoridade monetária, a avaliação é que políticas de gasto público precisam convergir com metas de déficit e dívida. Esse alinhamento, segundo o dirigente, reduz prêmios de risco, fortalece a moeda e contribui para a queda sustentada dos juros no médio prazo.

Para quem acompanha a pauta econômica, vale conferir outras atualizações sobre responsabilidade fiscal e reformas em nosso caderno de Política.

Em resumo, o Banco Central reconhece avanço firme no combate à inflação, mas mantém postura conservadora nas decisões sobre a Selic. O objetivo é consolidar a desinflação sem comprometer o crescimento, condição que exige disciplina fiscal e vigilância contínua dos indicadores macroeconômicos. Continue acompanhando nossas publicações e receba análises objetivas sobre economia e política.

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