Lead – A possível candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina, anunciada para a eleição de 2026, abriu um debate interno no Partido Liberal (PL) e coloca à prova a coesão de uma das bases mais organizadas da direita no país.
A disputa que chega de fora
Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, avalia transferir o domicílio eleitoral para Santa Catarina nos próximos meses. A mudança tem como objetivo garantir uma vaga na chapa majoritária do PL em 2026. Informações de bastidores apontam que a presença do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta resistência entre dirigentes estaduais, deputados federais e estaduais que já vinham articulando uma candidatura própria.
Desde o início de novembro, lideranças catarinenses manifestam preocupação com o impacto dessa chegada. O estado abriga um dos núcleos mais estruturados do partido, com centenas de vereadores, dezenas de prefeitos e uma bancada robusta na Assembleia Legislativa. Parte dessa base teme que uma indicação externa, decidida em Brasília, desmonte alianças construídas desde 2019.
A direção nacional do PL sustenta que a movimentação de Carlos Bolsonaro segue cálculo estratégico. Aliados lembram que o ex-presidente foi o principal fiador das chapas vitoriosas em 2022 e reforçam o critério de lealdade. Para os catarinenses, contudo, a discussão central é a autonomia local na montagem das nominatas.
Antecedentes de divisão na direita
O impasse lembra episódios anteriores de fragmentação. Ainda em 2019, o então PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro se elegeu, viveu crise pública durante a primeira edição brasileira da CPAC. O atrito entre o presidente da legenda, Luciano Bivar, e o Planalto culminou na saída do chefe do Executivo. Nos anos seguintes, figuras como Sergio Moro e os irmãos Weintraub se distanciaram do bolsonarismo, consolidando fissuras.
Em 2019, Filipe Martins, então assessor da Presidência, mapeou quatro eixos para sustentar o avanço conservador: confiança em Bolsonaro como símbolo agregador; formação de uma instituição capaz de unir movimentos; atuação cultural consistente; e mobilização eleitoral permanente. Passados seis anos, o segundo e o quarto pontos — organização institucional e estratégia contínua de campanha — ainda não saíram do papel em âmbito nacional.


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Santa Catarina é vista como exceção. O diretório estadual montou estrutura estável, financia eventos próprios e mantém presença articulada nos municípios. Deputados federais ligados ao grupo argumentam que a imposição de um nome externo poderia comprometer esse modelo. Já interlocutores da família Bolsonaro alegam que o movimento teria relação direta com a necessidade de garantir foro privilegiado, diante de processos abertos contra Carlos.
Próximos passos e possíveis cenários
A direção estadual do PL agendou reuniões para dezembro com o objetivo de definir critérios para a escolha do candidato ao Senado. Caso a transferência eleitoral de Carlos seja confirmada, líderes locais estudam apresentar alternativa ou até apoiar siglas aliadas, como Republicanos ou PP, em troca de espaço na chapa majoritária.
O principal risco apontado pelo grupo catarinense é reeditar o quadro de 2020, quando cidades como Joinville e Criciúma registraram duas campanhas municipais concorrentes, ambas reivindicando o apoio de Jair Bolsonaro. Na época, a divisão resultou em perda de musculatura e beneficiou adversários de esquerda e centro.

Imagem: André Borges
Pessoas próximas ao ex-presidente reforçam que a palavra final deve respeitar sua orientação e destacam o histórico de prejuízos para quem rompeu. Ainda assim, parlamentares estaduais argumentam que lealdade não exclui planejamento regional. Para eles, a candidatura de Carlos teria mais viabilidade em estados onde o PL carece de nomes competitivos, como Amapá ou Acre.
Impacto além de 2026
A escolha em Santa Catarina pode sinalizar o caminho do PL nos próximos ciclos eleitorais. Se prevalecer a indicação centralizada, lideranças estaduais enxergam risco de desmobilização da militância e desmonte gradual da engrenagem partidária construída desde 2019. Por outro lado, caso a base catarinense seja contemplada, o partido demonstraria capacidade de conciliar interesses locais e nacionais, reforçando a plataforma conservadora.
Enquanto o impasse persiste, aliados de Carlos Bolsonaro afirmam que a mudança de domicílio será protocolada até abril de 2026, prazo limite legal. Nos bastidores, a família Bolsonaro contabiliza que, mesmo com dissidências, o eleitorado catarinense tradicionalmente simpático ao ex-presidente tende a absorver o novo nome se a decisão vier acompanhada de visita frequente e engajamento em pautas regionais.
O desfecho em Santa Catarina deve influenciar as tratativas nos demais estados, especialmente onde o PL ainda negocia alianças. A definição também servirá como termômetro da capacidade de Jair Bolsonaro manter a direita unida em torno de seu núcleo familiar, fator considerado decisivo para as disputas proporcionais de 2026.
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Em síntese, a possível candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina coloca em jogo a coesão do PL e testa a força do ex-presidente como fiador do campo conservador. Continue acompanhando nossas atualizações e participe nos comentários, compartilhando sua opinião sobre os rumos da direita brasileira.
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