O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou a rodada de consultas para definir o sucessor do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O favorito do Planalto é o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas a articulação do Centrão, aliada à mobilização dos partidos de oposição, ameaça transformar a escolha em mais um teste de força entre governo e Congresso.
Centrão se aproxima de Pacheco e cria embaraço para Lula
Líderes do bloco comandado por Davi Alcolumbre (União-AP) intensificaram, nos bastidores, o apoio ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Alcolumbre garante dispor de mais de 60 votos, número bem acima dos 41 exigidos para aprovar um nome no plenário. A possibilidade de um trâmite rápido para Pacheco contrasta com o caminho potencialmente tortuoso reservado a Messias.
A operação favorável ao senador ganhou força após reunião realizada na residência oficial da Presidência do Senado, na segunda-feira (13). Pacheco, Alcolumbre, o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, discutiram a sucessão de Barroso. No dia seguinte, Lula recebeu ministros do Supremo no Palácio da Alvorada, repetindo a estratégia empregada nas indicações de Cristiano Zanin e Flávio Dino: medir a receptividade do tribunal antes de anunciar a escolha.
No Planalto, auxiliares defendem divulgar o nome de Messias até o fim de outubro, antes de compromissos internacionais do presidente. Mesmo assim, a decisão poderá ser adiada se a resistência no Senado escalar. Lula admite conversar “com muita gente” antes de fechar a lista, mas frisa que a prerrogativa constitucional de indicar o ministro é exclusiva do chefe do Executivo.
Oposição prepara desgaste e busca votos na bancada evangélica
PL, Novo e Republicanos coordenam ações para estender o debate sobre a indicação. Senadores planejam requerimentos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com objetivo de postergar a sabatina e, consequentemente, empurrar o Palácio do Planalto para um desgaste prolongado. A aposta é ampliar a pressão junto à bancada evangélica, historicamente decisiva em votações fechadas.
Messias carrega o apelido “Bessias” desde 2016, episódio em que levou a então presidente Dilma Rousseff a assinar o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil. O histórico, somado à proximidade com o Grupo Prerrogativas — coletivo de advogados ligados ao PT — reforça o argumento oposicionista de que sua presença no STF ampliaria o alinhamento da Corte ao governo.


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A ofensiva de direita ganhou fôlego depois de derrotas impostas ao Planalto no Congresso, como o vencimento da medida provisória que tributaria aplicações financeiras no exterior. Parlamentares enxergam na sucessão de Barroso uma oportunidade de manter o governo em posição defensiva.
Requisitos formais e realidade política
O processo de escolha de ministros do STF depende de três requisitos constitucionais — idade mínima de 35 anos, notório saber jurídico e reputação ilibada —, mas, na prática, o fator determinante é o respaldo político. Desde 1894, o Senado não rejeita oficialmente um indicado para a Corte. Ainda assim, o veto informal é comum: presidentes costumam submeter apenas nomes já testados junto aos líderes partidários.
Especialistas em direito constitucional observam que o Senado exerce poder de veto antecipado. Se o Planalto perceber risco de derrota, tende a recuar antes de formalizar a indicação. Foi o que ocorreu quando Jair Bolsonaro cogitou enviar o nome do filho Eduardo para a embaixada nos Estados Unidos — a proposta não saiu do papel diante da chance de insucesso.

Imagem: Ricardo Stuckert
Nesse contexto, aliados de Lula avaliam que Messias oferece maior afinidade ideológica, enquanto Pacheco sinalizaria conciliação com o Legislativo. Por outro lado, petistas temem que “queimar” o senador agora possa fragilizar o projeto de tê-lo como candidato ao governo de Minas Gerais em 2026.
Cenário fiscal pressiona negociações
Consultorias políticas apontam que a decisão de Lula ocorre em ambiente fiscal deteriorado e com a pauta econômica travada no Congresso. Cada votação relevante se transforma em moeda de troca, e a eleição do futuro ministro do STF não escapa dessa lógica. O Centrão se aproveita do momento para extrair concessões, enquanto a direita aposta no desgaste de um eventual terceiro nome alinhado ao Planalto em menos de dois anos de mandato.
Para entender como o Congresso tem reagido a outras pautas sensíveis, consulte a nossa sessão de Política.
Em síntese, Lula prefere Messias, o Centrão trabalha por Pacheco e a oposição mobiliza votos para travar o processo. O desfecho dependerá da capacidade do Planalto de construir maioria em meio a um Senado que demonstra crescente autonomia. Acompanhe as atualizações e esteja informado sobre o próximo passo dessa disputa crucial.
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