Brasília, 17 de setembro de 2025 — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, preservar a taxa Selic em 15% ao ano. É a terceira reunião consecutiva em que o colegiado mantém o patamar mais alto desde julho de 2006, quando a taxa chegou a 15,25%.
Decisão acompanha cenário interno de incerteza
Na nota oficial, o Copom classificou o ambiente doméstico como marcado por “elevada incerteza”, destacando a combinação de expectativas de inflação desancoradas, projeções de preços ainda acima da meta e resiliência da atividade econômica. O colegiado alertou que a política monetária precisará permanecer “significativamente contracionista por período bastante prolongado” para assegurar a convergência dos índices inflacionários.
O comunicado reforçou que o Banco Central “não hesitará em retomar o ciclo de alta” caso detecte qualquer desvio relevante nas expectativas. A mensagem reflete a prioridade em conter pressões inflacionárias, mesmo diante de custos elevados para crédito, consumo e investimento.
Diante do avanço dos gastos públicos e de discussões sobre flexibilização fiscal, a autoridade monetária avaliou que os riscos demandam cautela. O texto menciona “desenvolvimentos da política fiscal doméstica” como fator adicional de pressão sobre ativos e juros futuros, evidenciando a atenção ao equilíbrio das contas do governo.
Contexto externo reforça prudência
No mesmo dia, o Federal Reserve reduziu a taxa básica dos Estados Unidos para o intervalo de 4% a 4,25% ao ano, primeiro corte desde dezembro de 2024. O Copom reconheceu que a mudança altera as condições financeiras globais, mas considerou que o ambiente internacional continua “incerto”, principalmente por tensões comerciais e geopolíticas.
A decisão norte-americana foi antecedida por pedidos do presidente Donald Trump por juros mais baixos, pressão que alimentou volatilidade nos mercados. Segundo o Copom, a combinação de política expansionista em economias avançadas e incerteza comercial requer “particular cautela” por parte dos países emergentes, que enfrentam maior sensibilidade a fluxos de capital e variações cambiais.


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Números da decisão
A Selic permanece 5,25 pontos percentuais acima do nível vigente em janeiro de 2024. Ao longo de 2025, o Banco Central interrompeu o ciclo de aperto somente na reunião de julho, quando decidiu aguardar mais dados sobre inflação e atividade antes de novas elevações.
Com a manutenção, o juro real — diferença entre Selic e inflação projetada — continua em território positivo, estratégia que busca desestimular consumo acima da capacidade produtiva e conter reajustes de preços. Desde o início do ciclo de alta, empresas e famílias enfrentam crédito mais caro, cenário que, segundo analistas de mercado, deve persistir até 2026.

Imagem: Marcello Casal Jr
Próximos passos do Banco Central
O Copom sinalizou que analisará nas próximas reuniões se a permanência do atual patamar por um período “bastante prolongado” será suficiente para trazer a inflação de volta à meta. A taxa de inflação em 12 meses ainda supera o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, exigindo vigilância redobrada.
O calendário do Banco Central prevê novos encontros para 29 e 30 de outubro, quando serão avaliados indicadores de atividade, mercado de trabalho e execução orçamentária. Qualquer movimento de alta dependerá, principalmente, do comportamento das expectativas inflacionárias no longo prazo.
Repercussão no mercado
Logo após o anúncio, o mercado de juros futuros mostrou leve acomodação, sinalizando que a manutenção da Selic já estava amplamente precificada. O câmbio operou com estabilidade, enquanto o índice de ações registrou volatilidade moderada. Investidores seguem atentos aos desdobramentos da agenda fiscal e às negociações no Congresso Nacional sobre o Orçamento de 2026.
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Em resumo, o Copom optou por defender firmemente o poder de compra da moeda, preservando a Selic em 15% e mantendo a porta aberta para novos ajustes caso o cenário exija. Continue acompanhando as decisões econômicas que afetam seu bolso aqui no Geral de Notícias.
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