A indústria automotiva brasileira pode ser obrigada a desligar suas linhas de montagem nas próximas três semanas por falta de semicondutores. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, que vê risco de parada total caso o fornecimento internacional de chips não seja restabelecido com urgência.
Alerta da Anfavea mobiliza governo federal
Durante entrevista concedida em 23 de outubro, Calvet relatou que as montadoras instaladas no Brasil trabalham hoje com estoques mínimos de semicondutores importados. Segundo ele, as empresas já receberam notificações de fornecedores indicando interrupção no envio de peças nas próximas semanas. Se isso ocorrer, as linhas de produção ficarão sem componentes essenciais para sistemas eletrônicos de motor, freios, segurança e entretenimento.
O dirigente informou ter procurado o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, para solicitar atuação diplomática junto à China. O objetivo é destravar o embarque de semicondutores ao Brasil antes que faltem componentes nas montadoras, o que poderia resultar em demissões temporárias ou definitivas e prejuízos financeiros bilionários.
Calvet destacou que um automóvel moderno utiliza entre mil e três mil chips. Como o Brasil importa quase a totalidade desses itens, o país se encontra vulnerável a quaisquer restrições externas. “Sem semicondutores, não há carro”, resumiu o presidente da Anfavea.
Disputa geopolítica agrava escassez de componentes
A restrição no fornecimento teve início após o governo holandês, em 12 de outubro, assumir o controle da fabricante Nexperia com base em alegações de segurança nacional. A empresa, pertencente ao grupo chinês Wingtech, é acusada de transferência de tecnologia sensível para a China. A ação contou com forte apoio dos Estados Unidos.
Em resposta, Pequim limitou a exportação de componentes produzidos pela própria Nexperia e por outras companhias chinesas. A medida abalou a cadeia global de suprimentos, já que a produção mundial de semicondutores se concentra majoritariamente na Ásia. Países que dependem de importação, como o Brasil, sentiram o impacto de imediato.


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Fontes do setor explicam que inúmeros fornecedores brasileiros adquirem placas, módulos eletrônicos e sistemas de controle que utilizam chips da Nexperia. Quando a exportação é bloqueada na origem, forma-se um efeito dominó que atinge montadoras, fabricantes de eletrodomésticos, eletrônicos de consumo e até equipamentos médicos.
Risco de parada envolve empregos e arrecadação
A indústria automotiva responde por parcela expressiva do Produto Interno Bruto, concentra dezenas de milhares de empregos diretos e movimenta ampla cadeia de autopeças, logística e serviços. Em 2024, o setor produziu cerca de 2,4 milhões de veículos, segundo dados da própria Anfavea. Qualquer paralisação prolongada representa ameaça imediata à renda de famílias, à arrecadação de impostos e à atividade econômica regional em polos como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul.
Apesar do alerta, representantes das montadoras afirmam que, por enquanto, as fábricas continuam em operação. A previsão de parada em “duas a três semanas” considera o ritmo atual de consumo de peças estocadas e a inexistência de remessas confirmadas. Caso novas cargas cheguem a tempo, a produção seguirá normal; do contrário, sindicatos e empresas terão de discutir férias coletivas, suspensão temporária de contratos ou outras medidas para reduzir custos.

Imagem: Bigstock
Setores correlatos podem sentir o impacto
A escassez de semicondutores não se limita aos automóveis. Aparelhos de telefonia, computadores, TVs e linhas de produção de eletrodomésticos utilizam tecnologias fabricadas pelos mesmos fornecedores asiáticos. Com isso, o mercado de eletrônicos de consumo também monitora a situação e teme atrasos em lançamentos de fim de ano ou aumento de preços ao consumidor.
Analistas de mercado observam que a dependência externa em componentes estratégicos expõe o país a riscos recorrentes. A busca por políticas de incentivo à produção local de semicondutores ganhou força, mas se trata de projeto de longo prazo que exige investimento intenso em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura.
Próximos passos e expectativa
O MDIC ainda não divulgou detalhes sobre eventuais negociações com Pequim. Nos bastidores, montadoras defendem que o governo brasileiro atue em conjunto com outros países afetados para pressionar a liberação de exportações. Enquanto isso, as empresas calculam cenários e planejam ajustes de turno para lidar com oscilações na chegada de componentes.
Caso a restrição persista, a indústria avalia priorizar modelos com menor conteúdo eletrônico e direcionar chips disponíveis aos veículos de maior valor agregado. Mesmo assim, a solução seria paliativa e não evitaria perdas significativas caso o bloqueio ultrapasse o prazo estimado.
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Em resumo, o impasse geopolítico envolvendo China, Estados Unidos e Europa já provoca efeito imediato sobre a cadeia produtiva brasileira de veículos. A Anfavea alerta para paralisação em curto prazo e pressiona o governo federal por solução diplomática que garanta o fornecimento de chips. Continue acompanhando nossas publicações e fique por dentro dos desdobramentos deste tema.
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