ROMA — O teólogo norte-americano John Haught afirmou que a teoria da evolução, quando examinada de forma completa, “não precisa ser o fim da fé cristã”. A declaração foi feita durante o XII Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião, realizado em setembro na capital italiana, evento no qual Haught foi o principal conferencista e homenageado por sua carreira acadêmica.
Carreira dedicada ao diálogo entre fé e razão
Professor emérito e ex-diretor do Departamento de Teologia da Universidade Georgetown, Haught também lecionou em diversas instituições nos Estados Unidos. Entre suas obras mais conhecidas estão God and the New Atheism, que rebate argumentos de expoentes como Richard Dawkins e Daniel Dennett, e Making Sense of Evolution, voltado à relação entre biologia evolutiva e crença cristã.
Ao comentar a recente onda de conversões de figuras públicas ao cristianismo — casos que incluem a ativista Ayaan Hirsi Ali — Haught observou que parte desse movimento decorre de uma busca por “respostas sólidas” em meio a ansiedade social crescente. Ele sustentou que o Novo Ateísmo, popular na década passada, perdeu impulso justamente por depender de público com “conhecimento superficial de ciência” e por adotar o cientificismo, postura que enxerga a ciência como único critério de verdade.
Evolução vista como história cósmica
Para o teólogo, a principal base do ateísmo contemporâneo é a teoria de Charles Darwin, cuja combinação de acidentes naturais, leis físicas e longos períodos de tempo descreve a diversidade da vida. Contudo, Haught argumenta que esses mesmos elementos enquadram-se numa narrativa histórica maior, “um despertar cósmico” atraído por Deus. Nesse quadro, a criação receberia liberdade para desenvolver-se gradualmente, sem necessidade de intervenção “mágica”.
Ele defendeu a substituição da tradicional “teologia natural”, focada em sinais explícitos de design, por uma “teologia da natureza”, que reconhece o caráter áspero da trajetória evolutiva e busca sentido dentro dela. Assim, acidentes e extinções não invalidariam a providência divina, mas revelariam uma história em andamento.
Céticos, católicos e o desafio acadêmico
Haught reconheceu que metade do eleitorado republicano nos Estados Unidos e ampla parcela dos católicos rejeitam a evolução. Na avaliação do professor, isso representa “oportunidade perdida” para aprofundar a compreensão sobre vocação e destino humanos. Ele relatou que muitos universitários católicos abandonam a fé ao entrar em cursos de Biologia por nunca terem analisado detalhadamente o tema.


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Para enfrentar esse quadro, o teólogo sustenta que é preciso apresentar a teoria evolutiva de maneira integral e relacioná-la à esperança cristã. Segundo ele, o pecado passaria a ser visto como recusa a contribuir com o desenvolvimento contínuo do universo, enquanto profissões como o magistério ganhariam novo sentido ao “despertar” estudantes para essa realidade maior.
Crítica ao pragmatismo contemporâneo
Durante a conversa, Haught lamentou o que chama de abandono da busca pela verdade objetiva tanto por ateus quanto por cristãos. De acordo com seu diagnóstico, a sociedade ocidental passou a privilegiar “o que funciona” em vez do que é verdadeiro, substituindo análise intelectual por justificações emotivas. Ele reiterou o ensinamento bíblico de que os crentes devem estar preparados para “dar razões” de sua fé.

Imagem: Marcio Antio Campos
Ao tratar da preocupação pastoral, o professor enfatizou que a figura de Deus como “companheiro” — e não como operador de milagres instantâneos — oferece fundamento consistente para lidar com sofrimento, morte e incertezas. Essa perspectiva, segundo Haught, permite integrar fé, ciência e cuidado ambiental, temática que se alinha a reflexões recentes do magistério católico.
O conteúdo exposto em Roma reforça a tese de que o estudo científico, longe de ameaçar a doutrina cristã, pode servir de alicerce para uma compreensão mais ampla da criação e do papel humano no mundo.
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Em síntese, John Haught sustenta que aceitar a evolução não implica renunciar à fé; ao contrário, convida-nos a enxergar a história universal como processo guiado em direção ao divino. Se você considera relevantes os debates entre ciência, moral e esperança cristã, compartilhe este artigo e acompanhe nossas próximas publicações.
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