Brasília, 7 set. 2025 – O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, afirmou neste domingo que o Brasil “não vive uma ditadura da toga” e rejeitou a ideia de que integrantes da Corte exerçam poder tirânico. A declaração veio após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticar o ministro Alexandre de Moraes durante manifestação na avenida Paulista.
Governador aponta “tirania” e pressiona por anistia
Pela manhã, Tarcísio participou de ato organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A concentração, que lotou trechos da Paulista, teve como bandeiras a anistia a investigados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment de Moraes. No discurso, o governador afirmou que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”, em referência ao relator de inquéritos envolvendo militantes bolsonaristas.
Além de pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para colocar em pauta propostas de anistia, Tarcísio cobrou publicamente o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), relator do tema na Casa. O ex-ministro da Infraestrutura insistiu que o debate sobre perdão judicial é “urgentíssimo” para pacificar o país.
Resposta de Gilmar Mendes nas redes sociais
Horas depois, Gilmar Mendes recorreu ao X (antigo Twitter) para rebater as acusações. Sem citar Tarcísio nominalmente, o magistrado declarou que “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo”. O ministro destacou que o STF cumpre o papel de guardião da Constituição e de defensor do Estado de Direito, barrando retrocessos e preservando garantias fundamentais.
O decano aproveitou o 7 de Setembro para ressaltar que “a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento”. Mendes lembrou episódios recentes considerados autoritários, como a instalação de acampamentos diante de quartéis pedindo intervenção militar, ameaças ao sistema eleitoral, supostos planos de assassinato de autoridades e depredação de prédios públicos.
Na mesma postagem, o ministro citou a pandemia de covid-19, mencionando “milhares de mortos” e “vacinas deliberadamente negligenciadas por autoridades”. Embora não tenha mencionado nomes, a referência é vista como crítica à condução federal da crise sanitária entre 2020 e 2022.


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Clima de tensão entre Poderes
O embate verbal evidencia a tensão persistente entre setores do Executivo estadual, parlamentares alinhados ao bolsonarismo e o Supremo. Moraes, alvo das cobranças do ato na Paulista, é relator de processos que investigam tentativa de golpe de Estado, ataques às sedes dos Três Poderes e disseminação de notícias falsas.
Parlamentares aliados ao ex-presidente mantêm ofensiva para aprovar projetos de anistia a investigados. Já ministros do STF defendem que a punição aos envolvidos é necessária para garantir a segurança institucional. Nos bastidores, congressistas relatam que não há consenso suficiente para avançar a matéria, embora a pressão popular persista.
Papel do STF no pós-8 de janeiro
Desde a invasão e depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da sede do Supremo, em 2023, a Corte ampliou investigações sobre financiamento, organização e execução dos atos. Centenas de pessoas foram denunciadas pela Procuradoria-Geral da República, e penas já aplicadas chegam a mais de 15 anos em alguns casos.

Imagem: Victor Pite
Críticos alegam que medidas determinadas por Moraes, como bloqueio de contas em redes sociais, prisões preventivas e quebras de sigilo telemático, extrapolam limites legais. Já defensores da atuação do magistrado argumentam que tais providências foram essenciais para impedir novas investidas contra o regime democrático.
Datas, protagonistas e próximos passos
Quem: Gilmar Mendes (ministro do STF) e Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo).
Onde: Declarações ocorreram em Brasília (rede social) e São Paulo (avenida Paulista).
Quando: 7 de setembro de 2025.
O que: Debate público sobre a acusação de “ditadura da toga” e suposta tirania de ministro do STF.
Como: Tarcísio discursou em ato de rua; Gilmar respondeu via internet.
Por quê: Divergências sobre competência do Supremo, julgamento de investigados e pedidos de anistia.
Embora tenha evitado citar o governador diretamente, a manifestação de Mendes expõe a preocupação do Supremo com discursos que atribuem caráter autoritário à Corte. O ministro reforçou que qualquer ataque ao tribunal, segundo ele, representa ataque aos direitos individuais previstos na Constituição.
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Em resumo, o dia da Independência foi marcado por novas trocas de farpas entre lideranças conservadoras e o STF, reacendendo o debate sobre anistia e limites da atuação judicial. Se você quer receber atualizações em tempo real sobre política nacional, assine nossas notificações e não perca os próximos capítulos.
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