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Governo Lula corta 2,7 milhões de famílias do Bolsa Família

Política

Brasília, 30 out – O Bolsa Família registrou em outubro 18,9 milhões de lares atendidos, o menor contingente desde julho de 2022. O dado confirma uma redução acumulada de 2,7 milhões de famílias em comparação com o final do governo anterior, segundo levantamento do Poder360.

Pente-fino cadastral desencadeia exclusões

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, o recuo decorre principalmente do pente-fino iniciado neste ano para verificar informações declaradas pelos beneficiários. O processo remove cadastros com inconsistências ou renda acima do limite permitido. O Planalto também atribui parte das baixas ao aumento real de renda em alguns domicílios e à reformulação do Cadastro Único, prevista para março de 2025, que passou a atualizar dados de forma automática.

Em termos absolutos, essa é a menor marca alcançada no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diminuição ganhou força a partir de julho, quando as revisões cadastrais se intensificaram.

Queda generalizada em todas as regiões

O Nordeste e o Sudeste concentram as maiores retrações, cada um com 1,1 milhão de famílias a menos em relação a 2022. No Sul, 181,4 mil cadastros foram encerrados; no Norte, outros 159,4 mil; e no Centro-Oeste, 157,4 mil.

Apesar da queda, o Nordeste ainda lidera o número absoluto de beneficiários, com 8,8 milhões de lares. Na sequência aparecem Sudeste (5,3 milhões), Norte (2,5 milhões), Sul (1,3 milhão) e Centro-Oeste (994 mil).

Valor médio recorde e custo em expansão

Enquanto a quantidade de beneficiários diminui, o valor médio pago pelo programa segue elevado. Em outubro, cada família recebeu em média R$ 683,42, montante 256,4 % superior ao observado em dezembro de 2019, último período antes da pandemia. A variação supera com folga a inflação acumulada de 39,9 % no intervalo.

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O custo total do Bolsa Família em outubro foi de R$ 12,9 bilhões, cifra que se mantém bem acima dos R$ 3,7 bilhões desembolsados em janeiro de 2022. Os depósitos continuam escalonados conforme o final do Número de Identificação Social (NIS), com repasses iniciados no dia 20 de cada mês.

Como funciona o novo sistema de verificação

A modernização do Cadastro Único introduziu cruzamentos automáticos de dados trabalhistas, previdenciários e fiscais. Quando a renda per capita reportada ultrapassa o limite de R$ 218 mensais, o sistema sinaliza inconsistência. O beneficiário é notificado e tem prazo para atualizar as informações; caso não comprove elegibilidade, o pagamento é bloqueado e, em seguida, cancelado.

O governo afirma que a atualização tecnológica dá mais precisão à política de transferência de renda, mas resulta, na prática, em redução rápida do total de atendidos. A estratégia difere do período anterior, no qual o número de beneficiários chegou a superar 21 milhões em meio à pandemia.

Impacto nas contas públicas e próximos passos

Mesmo com menos famílias, o aumento do valor médio mantém o Bolsa Família como um dos maiores itens de despesa social da União. Para 2024, o Orçamento prevê pouco mais de R$ 168 bilhões para o programa, sem mudança nas regras de valor mínimo ou nos adicionais por criança e gestante.

Economistas apontam que, caso a exclusão de cadastros continue no ritmo atual, a equipe econômica poderá manter o gasto dentro do novo arcabouço fiscal sem alterar o benefício médio. O Ministério do Desenvolvimento Social, porém, não divulgou meta de cobertura nem cronograma para novas inclusões.

Até o momento, o governo não anunciou alterações na faixa de renda de entrada ou saída. A expectativa é que o próximo balanço, em novembro, traga novo ajuste no total de famílias elegíveis, refletindo o avanço do cruzamento de informações.

Para quem permanece no programa, o calendário de pagamento continua inalterado, com depósitos de 20 a 31 de cada mês. Beneficiários podem consultar valores e datas no aplicativo oficial Caixa Tem.

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Este artigo apresentou os números mais recentes do Bolsa Família e detalhou os motivos que levaram à exclusão de 2,7 milhões de participantes desde o final de 2022. Continue acompanhando nossas publicações para se manter informado sobre políticas sociais e contas públicas.

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