O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, manifestou preocupação com a recente movimentação de navios e aviões militares dos Estados Unidos no Mar do Caribe. A operação norte-americana, segundo a Casa Branca, tem como objetivo combater organizações criminosas associadas ao tráfico de drogas que atuam a partir da Venezuela. Enquanto Washington intensifica ações de segurança, o governo brasileiro mantém postura ambígua sobre a situação política e humanitária no país vizinho.
Alerta de Amorim sobre a frota americana
Em declaração concedida em 27 de agosto de 2025, Amorim afirmou que a presença militar dos EUA na região “exige atenção” por representar possível fonte de tensão na América do Sul. O diplomata não detalhou, entretanto, eventuais iniciativas do Itamaraty para dialogar com autoridades norte-americanas ou para verificar in loco as atividades denunciadas pelos EUA.
A mobilização marítima e aérea dos Estados Unidos ocorre nas proximidades de importantes rotas de narcotráfico que utilizam o Caribe como corredor rumo à América Central e ao mercado norte-americano. De acordo com comunicados oficiais de Washington, a operação se justifica pela classificação de Nicolás Maduro como “chefe de um esquema de narcotráfico”, e não como presidente legítimo da Venezuela.
Questionamentos internacionais sobre a reeleição de Maduro
A legitimidade do atual mandato de Maduro é contestada por organismos independentes. O Carter Center e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apontaram irregularidades na votação de 2024, descrevendo falhas graves de transparência, obstáculos a observadores externos e intimidação a opositores. Com base nesses relatórios, diversos países, entre eles os EUA, deixaram de reconhecer o resultado.
Além das dúvidas eleitorais, a CIDH registrou aproximadamente mil presos políticos na Venezuela, alguns sem paradeiro informado às famílias. Essas informações corroboram a tese norte-americana de que o governo venezuelano abriga um narco-estado operado por militares e milícias aliadas ao Palácio de Miraflores.
Silêncio de Brasília sobre a crise vizinha
Apesar das denúncias internacionais, o Palácio do Planalto evita posicionar-se publicamente contra Caracas. A administração brasileira, liderada pelo presidente Lula da Silva, mantém vínculo histórico com o projeto chavista e prefere tratar o tema como assunto “interno” venezuelano. Quando a escalada de repressão ganhou manchetes entre julho e agosto de 2024, representantes do governo chegaram a admitir “preocupação”, mas a nota oficial não mencionou medidas concretas nem críticas diretas a Maduro.


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Dentro desse cenário, a imprensa nacional questiona se Brasília concorda com a avaliação norte-americana de que a Venezuela se transformou em polo do crime organizado ou se repudia tal diagnóstico. Até o momento, nenhuma resposta clara foi apresentada.
Impacto regional e riscos à segurança
A instabilidade política no território venezuelano tem repercussões diretas para os países limítrofes, inclusive o Brasil. O fluxo de refugiados que atravessam a fronteira em Roraima aumentou nos últimos anos, pressionando serviços de saúde, educação e segurança pública em municípios da Amazônia. Paralelamente, autoridades brasileiras relatam a presença crescente de facções estrangeiras ligadas ao tráfico internacional de armas e entorpecentes.
Especialistas em defesa destacam que a ausência de condenação explícita por parte de Brasília pode enfraquecer esforços multilaterais de contenção do narcotráfico. Enquanto isso, Washington reforça a patrulha marítima, alegando necessidade de interceptar carregamentos oriundos de portos venezuelanos.

Imagem: Andre Borges
Próximos passos na diplomacia brasileira
Celso Amorim não antecipou iniciativas formais para mediar a crise ou promover observação independente na Venezuela. Tampouco explicou como o governo brasileiro pretende proteger interesses nacionais caso o conflito diplomático entre EUA e Caracas avance. Por ora, a prioridade de Amorim concentra-se em solicitar explicações a Washington sobre a amplitude da operação militar.
Parlamentares da oposição defendem que o Itamaraty pressione pelo restabelecimento de eleições livres e a libertação de presos políticos. Já aliados do Planalto alegam que diálogo direto com Maduro é mais produtivo do que sanções ou comunicados contundentes.
Em síntese, a movimentação dos Estados Unidos no Caribe evidencia a dimensão do problema venezuelano, mas o governo brasileiro opta por enfatizar a presença militar estrangeira em vez de abordar o cerne da crise: as denúncias de fraude eleitoral, o registro de presos políticos e a suspeita de conluio entre autoridades e cartéis.
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Ao monitorar a postura brasileira diante da Venezuela e a operação dos EUA no Caribe, o leitor pode avaliar como essas decisões impactam a segurança regional e a política externa do país. Continue acompanhando nossos conteúdos e mantenha-se informado.
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