O jornalista e escritor Guilherme Fiuza apresentou nesta semana “O Grande Circo”, obra que reúne fatos e argumentos sobre a transformação do jornalismo brasileiro em aparelho de propaganda. Escrito com ironia afiada, o livro chega ao mercado num momento em que a confiança na imprensa segue em queda e reacende o debate sobre quem ainda se dispõe a ouvir o lado oposto antes de formar juízo.
Livro denuncia transformação da imprensa em palco ideológico
Fiuza parte de episódios recentes para mostrar, em suas palavras, como redações inteiras passaram a tratar notícias como instrumentos de militância e não de informação. O autor descreve a montagem de narrativas que priorizam uma visão de mundo específica, ignorando dados inconvenientes à pauta dominante. Ao longo dos capítulos, surgem exemplos de reportagens moldadas para reforçar teses políticas, enquanto fatos contraditórios são minimizados ou descartados.
Segundo o escritor, o fenômeno vai além de deslizes pontuais: trata-se de uma estrutura profissional que recompensa o alinhamento ideológico e penaliza a divergência. Esse ambiente, argumenta Fiuza, elimina o jornalismo crítico e valoriza o ativismo, cenário que ele compara a um “circo” em que o público assiste a números ensaiados em vez de testemunhar a realidade tal como ela é.
O autor também destaca o papel da analfabetização funcional, termo usado para descrever a incapacidade de interpretar informações complexas. Para ele, esse déficit favorece a repetição de slogans e a aceitação passiva de manchetes enviesadas. Com linguagem direta, Fiuza afirma que a qualidade do texto continua essencial, pois é por meio dela que o leitor pode distinguir análise de propaganda.
Convicções, fatos e a dificuldade de mudar de ideia
A recepção do livro revela um problema maior: a resistência crescente a se deixar persuadir por fatos que desafiam crenças pré-estabelecidas. A pergunta que se impõe, retomada pelo colunista Paulo Polzonoff Jr., é simples: “Quem ainda está disposto a ser convencido?” Nas redes sociais e em rodas de conversa, a polarização cristaliza posições, enquanto o debate sobrevive apenas entre grupos já convictos.
Polzonoff relata ter se surpreendido com a capacidade do autor de conectar dados e argumentos para evidenciar a crise de credibilidade do jornalismo. Ele reconhece, porém, que a obra tende a circular apenas entre leitores que já desconfiam da grande imprensa, criando bolhas paralelas. Nesse sentido, o lançamento reforça o impasse: livros de não-ficção alcançam públicos segmentados, e a disposição para reconsiderar certezas continua rara.


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Para explicar o fenômeno, o colunista menciona a importância das convicções. Elas funcionam como âncoras que impedem o indivíduo de oscilar ao sabor de modismos ideológicos, mas podem se tornar barreiras quando assentadas na “areia das circunstâncias e dos interesses imediatos”. Tanto à direita quanto à esquerda, enfatiza, convicções superficiais produzem reações brutais a qualquer fato que ameace o grupo.
Realidade versus narrativas e os interesses de redação
O olhar de Fiuza se volta às redações, onde interesses financeiros e de posição hierárquica influenciam a linha editorial. Ele aponta que a busca por bônus de participação em resultados (PPLR) ou pela manutenção de espaço em colunas fomenta uma disputa interna por pautas alinhadas ao discurso dominante. Nesse jogo, ressalta o autor, a Realidade – grafada com “R” maiúsculo – termina rebaixada a mero detalhe.

Imagem: Divulgação
Em análise meticulosa, o jornalista mostra casos em que evidências empíricas foram suprimidas porque contrariavam a narrativa da vez. O resultado é um público informado por um conteúdo que prioriza emoção e militância, reduzindo as chances de ajustes de rota quando os fatos batem à porta.
O pano de fundo de “O Grande Circo” é, portanto, a disputa por credibilidade em um cenário de saturação informativa. Fiuza sugere que o resgate do jornalismo passa pela disposição de repórteres e leitores em enfrentar dados desconfortáveis, abandonar slogans e aceitar que a verdade não se curva a preferências ideológicas.
Ao lançar o livro, Guilherme Fiuza reforça a necessidade de uma imprensa responsável e comprometida com a verificação. O autor defende que apenas a valorização dos fatos, independentemente de seu impacto político, pode recuperar a confiança do público. Enquanto isso não ocorre, “O Grande Circo” se consolida como registro crítico de uma época em que a imprensa troca o rigor informativo pela militância calculada.
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Em síntese, a nova obra de Guilherme Fiuza convida à reflexão sobre o papel do jornalista e do leitor diante de um ambiente cada vez mais ocupado por narrativas prontas. Leia, questione e compartilhe: a responsabilidade de manter o debate vivo pertence a todos.
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