A expectativa de inflação para 2025 recuou nos últimos meses, mas os números continuam acima da meta oficial e indicam obstáculo relevante para o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que a projeção do IPCA para o ano caiu de 5,65% em 1.º de abril para 4,86% na última atualização. Mesmo com essa revisão, o índice segue superior ao centro de 3% e ultrapassa o limite de tolerância de 4,5%, evidenciando pressões que não foram totalmente neutralizadas pela equipe econômica.
Projeções do mercado sinalizam alívio limitado
O IPCA acumulado em doze meses recuou de 5,53% em abril para 5,23% em julho. Esse movimento de desaceleração ganhou força no IPCA-15 de agosto, que apresentou variação negativa graças a fatores pontuais: a queda nas tarifas de energia elétrica, resultado do bônus de Itaipu, e o recuo de 1,02% nos preços dos alimentos consumidos em casa.
Analistas destacam que a supersafra agrícola ampliou a oferta de produtos in natura, pressionando os preços para baixo. Além disso, as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos dificultaram a exportação de parte dessa produção, aumentando a quantidade disponível no mercado doméstico e contribuindo para menores cotações ao consumidor.
Esse alívio, porém, concentra-se em poucos grupos e não foi sentido em segmentos como despesas pessoais, saúde e educação. Dessa forma, a leitura do índice cheio mascara pressões que permanecem disseminadas em grande parte da cesta de consumo.
Indicadores de núcleo expõem pressão disseminada
Para avaliar a inflação subjacente, economistas calculam medidas de núcleo que excluem itens sujeitos a choques temporários. Pela métrica de serviços, a alta chegou a 0,50% em agosto. Quando se retiram do cálculo as passagens aéreas, consideradas voláteis, a taxa mensal sobe para 0,55%, equivalente a 6,80% em termos anualizados. Entre os produtos industrializados, a variação foi de 0,49% no mês.
Outro sinal de resistência inflacionária veio do índice de difusão, que saltou de 51,2% em julho para 57,2% em agosto. Isso significa que 57,2% dos itens monitorados pelo IPCA-15 registraram aumento de preços. Quanto maior o percentual, mais espalhado está o processo inflacionário, tornando-o mais difícil de conter apenas com choques de oferta ou medidas pontuais.


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Custo de vida continua em alta
A desaceleração do IPCA não implica queda do custo de vida, mas apenas ritmo menor de avanço. Em outras palavras, os preços seguem subindo, ainda que em velocidade inferior ao observado no início do ano. Para famílias de renda média e baixa, o impacto é direto no orçamento, sobretudo em serviços essenciais que mantêm trajetória de alta.
Diante desse cenário, o governo tenta conciliar política fiscal expansiva com manutenção da credibilidade do Banco Central. Contudo, o espaço para cortes consistentes na taxa Selic permanece limitado enquanto a inflação não convergir de forma sustentada para o centro da meta.

Imagem: Marcelo Camargo
Meta distante impõe dilema à política econômica
O IPCA em 12 meses está em 4,95%, acima do teto de 4,5%. Para cumprir a meta em 2025, seria necessário reduzir o índice em praticamente um ponto percentual, tarefa que exige combinação de disciplina fiscal, taxa de juros ainda restritiva e controle das expectativas. Até o momento, o Planalto prioriza a aprovação de medidas que podem ampliar gastos, como a proposta de reajuste de servidores e aumento de investimentos públicos.
Especialistas lembram que inflação elevada corrói poder de compra, desorganiza preços relativos e inibe investimentos de longo prazo. Sem ancoragem clara, o risco é de persistência inflacionária que restrinja a atividade e afete especialmente os mais pobres, exatamente o público que o governo afirma querer proteger.
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Em síntese, as projeções mais baixas refletem alívio pontual causado por choques de oferta, mas a inflação segue acima da meta, espalhada por vários setores e ainda pressionada por serviços. O desafio permanece como um dos principais pontos frágeis da atual administração. Continue acompanhando nossas atualizações e receba alertas sobre economia e política.
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