Nos últimos dois anos, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) viu suas receitas provenientes de descontos em benefícios do INSS saltarem de R$ 23 milhões para R$ 154 milhões anuais. O aumento superior a 500% ocorreu simultaneamente à posse de Frei Chico – irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – como vice-presidente da entidade e ao retorno do petista ao Palácio do Planalto.
Escalada financeira e suspeitas na CPMI
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes contra beneficiários do INSS identificou que 96% dos aposentados filiados ao Sindnapi negam ter autorizado os descontos de mensalidades. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que a entidade recebeu cerca de R$ 600 milhões sem consentimento formal dos segurados.
O presidente do sindicato, Milton Baptista, conhecido como “Milton Cavalo”, foi ouvido pela CPMI e recorreu ao direito de silêncio quando questionado sobre movimentações financeiras e sobre o papel de Frei Chico. A postura não impediu a aprovação do pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal de diretores do Sindnapi. Parlamentares articulam agora a convocação do próprio Frei Chico, medida que pode ser votada nas próximas sessões.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (UNIÃO-AL), classifica o Sindnapi como parte de “uma organização criminosa” dedicada a desviar recursos dos aposentados. Segundo o parlamentar, a investigação precisa esclarecer se o irmão do presidente atuou como facilitador político para destravar os repasses dentro do governo federal.
Fotos apagadas e participação ocultada
Nas últimas semanas, fotos e registros de eventos que mostravam Frei Chico ao lado de ministros e dirigentes sindicais foram retirados de canais oficiais do Sindnapi. Galerias inteiras desapareceram ou voltaram à internet com páginas em branco, movimento interpretado por membros da CPMI como tentativa de esconder a proximidade entre o irmão de Lula e os responsáveis pelos descontos indevidos.
Em nota, a defesa do Sindnapi sustenta que Frei Chico não exercia funções administrativas ou financeiras e que sua participação seria “estritamente política e simbólica”. Entretanto, a lei proíbe parentes de autoridades em exercício de ocupar cargos de direção em entidades que mantenham relação financeira com o poder público, o que pode caracterizar fraude na composição da diretoria.


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Além disso, documentos preliminares revelam que o Sindnapi apresentou atos constitutivos sem mencionar Frei Chico, possivelmente para driblar o impedimento legal. A divergência deve constar no relatório final da CPMI como indício de falsidade ideológica.
“Não devemos nada” x quebra de sigilos
Ao surgir o escândalo, Frei Chico declarou publicamente que o sindicato “não deve nada” e defendeu uma investigação “ampla e rigorosa” sobre o INSS. Desde então, permaneceu em silêncio. Mesmo que governistas consigam barrar sua convocação para depor, a quebra de sigilos dos dirigentes deve expor fluxos financeiros que podem ligar diretamente o irmão de Lula à administração dos recursos.
Para a oposição na CPMI, a coincidência entre a ascensão de Frei Chico no Sindnapi, a volta de Lula à Presidência e a multiplicação dos repasses do INSS é fator central da apuração. Deputados ressaltam que o aumento de 500% ocorreu em tempo recorde, sem justificativa financeira plausível, e que a entidade nunca apresentou comprovação de autorização dos aposentados para os descontos.

Imagem: Gazeta do Povo
Próximos passos no Congresso
O cronograma da CPMI prevê novas audiências para a próxima quinzena. Entre os requerimentos na pauta estão a convocação de ex-gestores do INSS, análise de contratos de processamento de crédito consignado e acesso a sistemas da Dataprev que registram filiações sindicais.
Lideranças de oposição indicam que o relatório final poderá propor encaminhamento ao Ministério Público por peculato, associação criminosa e improbidade administrativa. A base governista, por sua vez, tenta adiar votações e minimizar o impacto político, alegando que irregularidades vinham de gestões anteriores.
O desenrolar da investigação interessa diretamente aos mais de 39 milhões de segurados do INSS, cujo benefício é alvo de descontos mensais. A CPMI quer determinar se parte dessas quantias foi direcionada ao Sindnapi sem autorização, com o suposto aval de autoridades ligadas ao Palácio do Planalto.
Caso o requerimento de convocação seja aprovado, Frei Chico deverá explicar, perante deputados e senadores, como um líder sindical “apenas simbólico” acompanhou ministros em agendas oficiais, participou de negociações sobre folha de pagamento do INSS e, ao final, viu as receitas da entidade dispararem.
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Em síntese, a CPMI avança para descobrir se o aumento exponencial de repasses ao Sindnapi foi fruto de habilidade administrativa, influência política ou esquema ilícito. Continue acompanhando nossos relatos e compartilhe a matéria para que mais pessoas entendam o impacto das decisões sobre o dinheiro dos aposentados.
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