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Javier Milei corta gastos e devolve superávit à Argentina em 10 meses

Política

Buenos Aires — Em apenas dez meses de mandato, o presidente argentino Javier Milei entregou o primeiro superávit primário do país em uma década e reduziu a inflação mensal de 25% para menos de 3%. Os números, divulgados pelo Ministério da Economia argentino, resultam de um programa de cortes de despesas, enxugamento da máquina pública e suspensão de subsídios considerados insustentáveis.

Superávit após seis meses consecutivos de ajuste

Milei tomou posse em janeiro de 2025 com a promessa de equilibrar as contas federais. Desde então, eliminou ministérios, revisou contratos, congelou contratações e reduziu salários no alto escalão. Segundo dados oficiais, as medidas geraram superávit primário durante seis meses consecutivos, consolidando o melhor desempenho fiscal desde 2015.

As reservas internacionais, que haviam chegado a níveis críticos em 2024, voltaram a crescer. De acordo com o Banco Central da República Argentina, o estoque de divisas passou a registrar saldo positivo já no segundo trimestre de 2025, refletindo a queda na demanda por dólares e a estabilização cambial.

No front inflacionário, a forte contração de gastos públicos foi acompanhada por uma política monetária restritiva. O índice de preços ao consumidor, que alcançava 25% ao mês antes da posse, recuou gradualmente. Em setembro de 2025, a taxa ficou abaixo de 3%, a menor variação mensal desde 2020.

Redução da estrutura estatal e impacto social

O corte de despesas incluiu a extinção de ministérios considerados redundantes e a revisão de programas de subsídios a energia, transportes e combustíveis. O governo defende que a reestruturação deu previsibilidade às contas públicas e abriu espaço para futuros incentivos ao investimento privado.

Embora entidades sindicais reclamem perdas salariais e aumento no custo de determinados serviços, pesquisas de opinião encomendadas por institutos independentes mostram aprovação majoritária à consolidação fiscal. Na votação legislativa de meio de mandato, ocorrida em outubro, a coligação de Milei ampliou cadeiras no Congresso, reforçando a sustentação política do ajuste.

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Brasil avança na direção oposta

Enquanto a Argentina apresenta superávit, o Brasil acumula déficit primário que já ultrapassa R$ 1 trilhão em 2025, segundo projeções da Instituição Fiscal Independente. Levantamento da Receita Federal indica que, desde janeiro de 2023, o governo federal criou ou majorou tributos em média a cada 37 dias. O aumento de carga tributária ocorre paralelamente à ampliação da estrutura ministerial e de programas de transferência de renda, que hoje atendem 94 milhões de brasileiros.

Economistas alertam para o risco de desequilíbrio estrutural nas contas brasileiras a partir de 2027, quando despesas obrigatórias devem superar a arrecadação, pressionando aposentadorias, saúde e segurança pública. Juros altos, recorde de falências e endividamento das famílias reforçam a preocupação de analistas de mercado.

Repercussão continental e sinalização à direita

No cenário regional, a performance de Milei fortalece partidos e movimentos de centro-direita que defendem enxugar o Estado e priorizar a responsabilidade fiscal. Líderes progressistas, por outro lado, intensificam críticas ao modelo argentino, classificando os cortes como “política de austeridade”.

De forma pragmática, as reformas na Argentina passaram a ser observadas por organismos multilaterais, que citam o país como caso de reversão rápida de déficits crônicos. Para consultorias de risco, o sucesso inicial amplia a margem de manobra de Milei em futuras rodadas de liberalização, como privatizações e abertura comercial.

A experiência argentina renova o debate sobre o tamanho do Estado na América do Sul. Governos que enfrentam deterioração fiscal, como o Brasil, são pressionados a explicar por que não adotam medidas semelhantes ou buscam alternativas para conter a trajetória de endividamento.

Para acompanhar desdobramentos da política econômica no continente, acesse também a seção de Política e veja análises sobre reformas, orçamento público e eleições.

Com um superávit inédito em dez anos e inflação em franca desaceleração, Javier Milei reforça a tese de que ajustes duros podem trazer resultados rápidos. O desempenho argentino coloca em evidência a diferença de estratégia fiscal entre Buenos Aires e Brasília, tema que deve dominar a agenda sul-americana nos próximos anos. Mantenha-se informado e compartilhe este conteúdo com quem acompanha o futuro econômico da região.

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