Rio de Janeiro, 28 out. 2025 – O jornalista e escritor Luciano Trigo reuniu cinquenta frases para ilustrar como a responsabilidade individual e coletiva costuma ser diluída no debate público brasileiro. O material, publicado na seção “Absurdistão”, da Gazeta do Povo, utiliza paradoxos para retratar a tendência de atribuir culpa a todos e a ninguém ao mesmo tempo, fenômeno presente em temas como segurança, saúde, consumo e política.
Lista evidencia inversão de responsabilidades
Trigo combina situações corriqueiras com questões de alta relevância social para mostrar, segundo ele, uma cultura de vitimização generalizada. A seleção parte de um conflito real: a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, que visa prender cerca de 100 integrantes do Comando Vermelho. A partir desse pano de fundo, o autor amplia a discussão e constrói frases curtas que associam agentes e vítimas em papeis intercambiáveis.
Em um dos exemplos, “Os cidadãos são responsáveis pelos políticos que os roubam, que são vítimas dos cidadãos também”, o colunista destaca a corresponsabilidade entre eleitor e eleito. Já em “Os pacientes são responsáveis pelos médicos que erram, que são vítimas dos pacientes também”, expõe a relação conflituosa entre usuário e prestador de serviço na saúde pública e privada.
Há ainda referências à rotina urbana, como “Os motoristas de ônibus são responsáveis pelos engarrafamentos, que são vítimas dos motoristas também”, e a temas de comportamento, exemplificados pela frase “Os usuários de redes sociais são responsáveis pelas discussões tóxicas, que são vítimas dos usuários também”. Cada construção segue o mesmo padrão: primeiro, aponta-se um sujeito ativo; em seguida, declara-se que esse mesmo sujeito também ocupa a posição de vítima do sistema que ajuda a criar.
Publicação integra série sobre o “Absurdistão” brasileiro
A coluna integra um conjunto maior de textos que o autor vem divulgando para analisar, com tom crítico, contradições nacionais. O recorte utilizado na edição de 28 de outubro assume formato didático, enumerado de 1 a 50, o que facilita a leitura e amplia a disseminação nas redes sociais. A abordagem ajuda a reforçar a ideia de que a confusão de papéis, segundo Trigo, impede a responsabilização objetiva e alimenta ciclos de impunidade.
Em seu encerramento, o jornalista destaca o tema das drogas: “Os usuários de drogas são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. A frase conecta o ponto de partida – o embate entre polícia e crime organizado no Rio – com a discussão moral sobre consumo e oferta de entorpecentes. O autor já havia criticado declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em pronunciamento, sugeriu que traficantes seriam “vítimas da sociedade”, provocando reação de parlamentares da oposição.


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O texto não apresenta soluções nem propõe políticas públicas, mas pretende, segundo o próprio colunista, provocar reflexão sobre a lógica que permeia debates no Congresso, decisões judiciais e a cobertura de mídia. Para ele, a confusão entre autor e vítima dificulta o avanço de reformas que responsabilizem infratores e protejam efetivamente a população.

Imagem: Tânia Rego
Recepção e repercussão
A lista ganhou notoriedade nas plataformas digitais, sobretudo em perfis favoráveis a abordagens mais rigorosas contra criminalidade e desperdício de recursos públicos. Comentários apontam que a sequência de frases resume contradições críticas presentes em várias esferas, de políticas urbanas ao comportamento do consumidor. Críticos, por outro lado, acusam a montagem de simplificar questões complexas e ignorar fatores socioeconômicos de longa data.
Embora a coluna não divulgue métricas, publicações anteriores da série “Absurdistão” registraram alto engajamento, fato que tende a se repetir pela linguagem direta e pelo uso de exemplos cotidianos. Analistas independente observam que a metodologia de contraste – apontar a inversão de autor e vítima – reforça percepções de que o país enfrenta crise de valores, percepção amplificada em afiliados a correntes conservadoras.
Para aprofundar a discussão sobre responsabilidade e políticas públicas, acesse também a nossa seção de Política e acompanhe análises e desdobramentos sobre segurança e gestão governamental.
Este conteúdo apresentou a proposta de Luciano Trigo de condensar, em cinquenta sentenças, contradições da vida nacional, destacando a dificuldade de individualizar responsabilidades. Continue ligado para entender como esse debate evolui e influencia decisões no Congresso e nos tribunais.
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