Brasília, 20 set. 2025 – O Brasil mantém 10,4 milhões de jovens entre 18 e 24 anos fora da sala de aula e do mercado de trabalho, segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O grupo, conhecido como “geração nem-nem”, corresponde a 24% dos brasileiros nessa faixa etária, percentual muito acima da média mundial de 15% e do índice de 13% verificado nos países-membros da entidade.
Produtividade perde fôlego e diferença de gênero persiste
A taxa brasileira recuou de 30% em 2019 para os atuais 24%, mas a redução ainda é insuficiente diante do impacto econômico. A OCDE estima que a inatividade juvenil drena bilhões de reais em potencial produtivo e reduz a arrecadação tributária, ao mesmo tempo em que eleva a pressão sobre programas de assistência social.
O desequilíbrio de gênero aprofunda o problema. Entre as mulheres, 29% estão na condição nem-nem, enquanto entre os homens a proporção cai para 19%. A organização atribui a diferença a responsabilidades familiares e barreiras culturais que afastam especialmente as jovens do estudo e do trabalho formal.
Lacunas no ensino médio e técnico travam o avanço
Os dados mostram que 27% dos adultos de 25 a 34 anos não concluíram o ensino médio em 2023. O índice é quase o dobro da média da OCDE. Entre quem não possui esse nível de escolaridade, apenas 64% estão empregados, contra 75% entre os diplomados do ciclo completo. Além disso, 59% dos trabalhadores sem ensino médio recebem menos da metade da renda mediana nacional, comparados a 28% nos países desenvolvidos.
O ensino técnico, fundamental para formar mão de obra qualificada, saltou de 8% para 14% das matrículas do ensino médio na última década. Mesmo assim, o percentual representa apenas um terço do verificado na OCDE e fica abaixo de países vizinhos da América Latina. A reforma do Novo Ensino Médio flexibilizou trilhas formativas, mas os resultados ainda não aproximam o Brasil dos padrões internacionais.
Ensino superior avança devagar e evasão é alta
Apenas 24% dos jovens adultos brasileiros concluíram faculdade, menos da metade da média dos países desenvolvidos. Três em cada quatro alunos fazem um ano sabático antes de ingressar no ensino superior, número acima dos 44% observados na OCDE. A evasão também preocupa: 25% abandonam o curso no primeiro ano, quase o dobro da média internacional.


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Mesmo com obstáculos, o retorno financeiro para quem conclui a graduação permanece elevado. Em 2023, diplomados ganhavam em média 148% mais do que quem concluiu apenas o ensino médio; na OCDE, o diferencial é de 54%. A disparidade evidencia tanto a valorização do diploma quanto a forte desigualdade salarial brasileira.
Investimento alto no total, baixo por aluno
O país destina 4,3% do PIB ao financiamento público da educação, superando a média de 3,6% da OCDE. Porém, o gasto anual por estudante é de US$ 3.762, equivalente a um terço dos US$ 15.102 aplicados pelos países desenvolvidos. A OCDE destaca que o montante se dilui pela grande população escolar, reduzindo a eficácia dos recursos.

Imagem: criada utilizando Dall-E
Entre 2015 e 2021, o desembolso público em educação caiu 2,5% ao ano, enquanto no mesmo período os países da organização aumentaram o investimento em 2,1% anuais. A participação da área no orçamento federal também recuou, de 11% para 10,6%.
Sinais pontuais de melhora
Alguns indicadores mostram progresso recente. A matrícula de crianças até dois anos subiu de 16% para 25% em dez anos, e a proporção de crianças de quatro anos na pré-escola alcançou 90%, aproximando-se dos 96% da OCDE. O tamanho médio das turmas do ensino fundamental diminuiu de 23 para 20 alunos, mas a carga horária anual continua em 800 horas, abaixo das 909 horas praticadas no fundamental II nos países desenvolvidos.
O retrato da OCDE reforça a urgência de políticas que aproximem educação e mercado de trabalho, reduzam a evasão e ampliem a qualificação profissional, especialmente entre jovens e mulheres, para recuperar produtividade e competitividade.
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Resumo: a OCDE aponta que um quarto dos jovens brasileiros permanece inativo, expondo falhas de formação e limitações no mercado de trabalho. Continue acompanhando nossas publicações e compartilhe este conteúdo para ampliar o debate sobre soluções que estimulem estudo, emprego e desenvolvimento.

