Brasília, 2 de setembro de 2025 – O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou alta de 0,4% entre abril e junho, em relação ao trimestre anterior, atingindo R$ 3,2 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado confirma a perda de fôlego da economia, pressionada pela política monetária restritiva e por incertezas fiscais que afastam investimentos.
Serviços sustentam avanço modesto, agro recua
O setor de serviços avançou 0,6% e evitou uma estagnação mais severa. Atividades financeiras, de seguros e de tecnologia da informação lideraram o crescimento, impulsionadas pelo desenvolvimento de software e pelo aumento no transporte de passageiros.
A indústria também ficou no campo positivo, com crescimento de 0,5%. Porém, segmentos dependentes de crédito, como transformação e construção civil, sentiram o impacto direto dos juros elevados, que encarecem financiamentos e adiam novos projetos.
Na contramão, a agropecuária recuou 0,1% no trimestre. A menor contribuição do agronegócio revela um movimento natural de ajuste após o forte desempenho registrado no início do ano.
Demanda interna perde ritmo com consumo recuando
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,5%, apoiado no aumento dos salários reais e nos programas de transferência de renda. O consumo do governo, por outro lado, caiu 0,6%, reforçando a necessidade de ajustes nas contas públicas em ano eleitoral.
O sinal de alerta vem dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 2,2%, reflexo de juros altos e incerteza sobre o cenário fiscal. Com custos de captação maiores, empresas adiam a compra de máquinas, equipamentos e novas obras.


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No setor externo, as exportações cresceram e compensaram parte das importações em desaceleração, beneficiadas pelo bom desempenho de commodities agrícolas e minerais.
Comparação anual mostra desaceleração generalizada
Na comparação com o segundo trimestre de 2024, o PIB cresceu 3,2%, abaixo dos 3,5% observados no início de 2025. A agropecuária foi a única a acelerar, passando de 1,8% para 5,8%. Indústria e serviços recuaram de 3,1% para 2,4% e de 3,3% para 2,9%, respectivamente.
O consumo das famílias desacelerou de 4,2% para 3,4%. O consumo do governo passou de 1,2% para 1,0%, enquanto o investimento saiu de 8,8% para 8,3%. Exportações e importações também perderam força.

Imagem: Gils Abreu
Projeções indicam crescimento limitado até o fim do ano
Após um primeiro trimestre robusto, instituições financeiras como Daycoval, Itaú, XP e Inter convergem para um crescimento anual entre 2,0% e 2,2%. Sem cortes mais agressivos na Selic, o ritmo tende a permanecer moderado, principalmente em setores que dependem de crédito.
A combinação de juros elevados, incerteza fiscal e tarifaço aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde 6 de julho forma um ambiente menos favorável para a indústria. A continuidade de despesas públicas sem contrapartida de receitas pressiona as expectativas de inflação e limita a queda dos juros futuros.
Juros altos seguem principal obstáculo
Com a Selic mantida em patamar elevado pelo Banco Central, o encarecimento do crédito afeta consumo e investimento. Veículos, eletrodomésticos e imóveis, que dependem de financiamentos de longo prazo, registram menor procura. Ao mesmo tempo, empresas postergam planos de expansão, aguardando condições mais favoráveis.
No curto prazo, a resiliência do setor de serviços e a continuidade da geração de empregos auxiliam na sustentação do PIB. Contudo, analistas veem espaço limitado para surpresas positivas enquanto não houver sinal claro de responsabilidade fiscal capaz de consolidar confiança e abrir caminho para a redução consistente dos juros.
Para acompanhar como a trajetória da economia impacta o debate público, confira também nossa cobertura em Política.
Em síntese, o avanço de 0,4% no segundo trimestre mostra uma economia resistente, porém contida pelo custo elevado do dinheiro e pela incerteza sobre as finanças públicas. Acompanhe nossos próximos conteúdos e fique atualizado sobre os desdobramentos que poderão influenciar o ritmo de crescimento nos próximos meses.
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