Brasília, 8 de maio — O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), respondeu nesta quarta-feira às críticas do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que o acusa de “imoral” e “traidor” por permanecer no governo Lula após a orientação da própria sigla para deixar a Esplanada. Em tom de deboche, Sabino afirmou: “Quando ele tiver 1,5% na pesquisa eu respondo”. A frase reproduz uma provocação usada por Luiz Inácio Lula da Silva em debate presidencial de 1989 contra o então adversário goiano.
Troca de farpas em Brasília
O comentário de Sabino foi feito logo após reunião da Executiva Nacional do União Brasil, em Brasília. Questionado sobre a cobrança de Caiado, o ministro recorreu à mesma ironia usada por Lula há 35 anos, sugerindo que só dará atenção ao governador caso seu desempenho nas pesquisas eleitorais melhore. Caiado é pré-candidato à Presidência da República em 2026 pelo próprio União Brasil e busca consolidar espaço na direita para disputar o eleitorado que se opõe ao atual governo federal.
Momentos depois, o governador goiano rebateu à imprensa: “Até a frase é do Lula. Sabino é o que chamamos na política de ‘caráter líquido’: toma a forma do frasco. Ele se moldou ao PT”. Em seguida, Caiado destacou seus 40 anos de vida pública e defendeu que um dirigente partidário não pode “servir a dois senhores”. Para ele, permanecer ministro no Planalto depois da saída oficial da federação União Progressista (União Brasil + PP) da base governista fere a “dignidade” e a “coerência”.
Na saída do encontro, Caiado afirmou que a questão não se restringe a números em pesquisas, mas a lealdade partidária: “Ou está com Lula, ou está com o União Brasil. A dubiedade corrói a credibilidade de qualquer partido”.
União Brasil afasta Sabino, mas cargo federal permanece
A Executiva Nacional decidiu afastar Celso Sabino de todas as funções internas na legenda, destituí-lo do diretório estadual no Pará e abrir processo disciplinar no Conselho de Ética. Mesmo assim, o ministro seguirá comandando o Turismo e não descarta permanecer filiado ou migrar para outra sigla antes das eleições de 2026.
O União Brasil, ao lado do PP, deixou a base governista em setembro de 2023 e orientou todos os filiados a entregarem seus cargos federais. Sabino, no entanto, sustentou o posto alegando a proximidade da COP-30, marcada para Belém (PA) dentro de um mês: “Não vejo como oportuno interromper o trabalho em andamento”, justificou.


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Situação semelhante ocorre com o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), também afastado de suas funções partidárias por não renunciar ao cargo federal. Nos bastidores, dirigentes das duas legendas apontam risco de desgaste eleitoral caso membros “dissidentes” permaneçam no governo petista enquanto partidos se posicionam na oposição.
Disputa interna e cálculo eleitoral
A permanência de Sabino expõe divergências dentro do União Brasil sobre a melhor estratégia para 2026. De um lado, parlamentares defendem rompimento completo com o Planalto para consolidar uma candidatura de direita. Do outro, alas regionais enxergam vantagem em manter pontes com o governo para garantir emendas, obras e visibilidade local. A trajetória de Sabino — ex-deputado federal reeleito pelo Pará — evidencia como o controle de um ministério pode fortalecer projetos pessoais mesmo diante de sanções internas.
Caiado, por sua vez, tenta ocupar espaço vago no campo conservador após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador goiano tem investido em agenda de segurança pública e crítica à gestão federal, buscando viabilizar seu nome como alternativa liberal e de direita. A rusga com Sabino reforça o discurso de alinhamento partidário e fidelidade à orientação aprovada em convenção.

Imagem: Internet
Próximos passos
O processo disciplinar contra Sabino deve tramitar nos próximos meses. Caso seja confirmada a expulsão, o ministro ficaria livre para se filiar a outra legenda sem risco de perda de mandato, já que ocupa cargo no Executivo. Entretanto, o União Brasil ainda avalia se o gesto pode provocar nova crise de governabilidade em um momento de tensão nas votações econômicas no Congresso.
Para o governo Lula, manter Sabino e Fufuca pode facilitar negociações pontuais na Câmara e no Senado, mesmo sem o apoio formal das siglas. Já os partidos analisam qual custo político estão dispostos a pagar por permitir que quadros ainda associados à legenda sigam como auxiliares do presidente petista.
Essa disputa ilustra como alianças pragmáticas continuam moldando a política brasileira, principalmente quando ministérios são usados como instrumento de barganha. Ao colocar Caiado e Sabino em rota de colisão, o União Brasil busca reafirmar identidade própria, mas convive com o risco de perder quadros relevantes para adversários que oferecem visibilidade nacional.
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Em resumo, a controvérsia entre Ronaldo Caiado e Celso Sabino expõe o dilema do União Brasil: reforçar oposição ao Planalto ou preservar cargos estratégicos. Continue acompanhando nossa cobertura e fique por dentro dos próximos capítulos que definirão o tabuleiro eleitoral de 2026.
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