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Setor produtivo pressiona após governo adiar votação de vetos ao licenciamento ambiental

Política

Brasília – A decisão do Palácio do Planalto de cancelar a sessão do Congresso Nacional que analisaria os 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral do Licenciamento Ambiental provocou forte reação de entidades empresariais e parlamentares alinhados às frentes produtivas. O encontro, previsto para 16 de outubro, foi retirado da pauta a pedido do governo, que teme a derrubada de dispositivos estratégicos para sua agenda ambiental.

Reação imediata do setor produtivo

Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária, da Confederação Nacional da Indústria e de 12 frentes parlamentares divulgaram nota conjunta classificando o adiamento como “manobra política” destinada a evitar derrota do Executivo. O comunicado sustenta que a postergação compromete meses de negociação e impede a construção de um marco legal capaz de garantir previsibilidade às obras e aos empreendimentos em todo o país.

Integrante da Coalizão das Frentes Produtivas, o deputado federal que coordena a Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou que “o Brasil precisa de regras claras para gerar emprego, renda e crescimento” e criticou o cancelamento de última hora. Na avaliação das frentes, os vetos presidenciais descaracterizam a essência da nova lei ao suprimir dispositivos que descentralizam competências e simplificam o processo de licenciamento.

O Instituto Brasileiro de Direito e Sustentabilidade (Ibrades) também defendeu a derrubada dos vetos. Para a entidade, o país está há décadas preso a resoluções infralegais do Conama, sem o respaldo do Legislativo. O instituto lembra que a proposta tramitou por 20 anos e representa oportunidade de substituir um “labirinto normativo” por critérios objetivos sustentados por tecnologia.

Preocupação com insegurança jurídica e investimentos

Pela lei sancionada em agosto, estados e municípios ganhariam autonomia para adotar instrumentos como a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), já testada na Bahia e no Ceará. O Planalto, entretanto, vetou pontos que tratam da LAC, das definições de porte e potencial poluidor e da dispensa de licenciamento para manutenções de infraestrutura existente.

A Coalizão das Frentes Produtivas argumenta que, sem esses mecanismos, a legislação entra em vigor em fevereiro de 2026 sob um vácuo regulatório. “Obras essenciais de energia, saneamento e logística podem ficar paralisadas por falta de parâmetros claros”, alerta o grupo. Para o setor privado, a indefinição encarece projetos, afugenta investimentos e ameaça o cronograma de empreendimentos estratégicos.

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Em nota técnica, o Ibrades sustenta que a modernização do licenciamento não significa afrouxar a proteção ambiental, mas sim adotar processos que combinem responsabilidade, eficiência e segurança jurídica. A entidade acusa o discurso ambientalista de “sustentabilidade seletiva” por ignorar os impactos socioeconômicos da burocracia.

Temor do governo e próximo passo

Nos bastidores, líderes governistas atribuíram o pedido de adiamento à necessidade de “mais diálogo” com a base. Parlamentares ouvidos confirmam, entretanto, que o Planalto não dispõe de votos suficientes para manter vetos considerados sensíveis, sobretudo aqueles que ampliam o poder de estados e municípios. Ao retirar o tema da ordem do dia, o Executivo ganha tempo para negociar emendas, mas gera desgaste com as bancadas da agropecuária, da construção civil e da energia.

O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco, ainda não definiu nova data para a sessão. Caso a pauta volte sem acordo, a tendência é de mobilização massiva das frentes produtivas para derrubar os vetos. Para aprovação ou rejeição, são necessários 257 votos de deputados e 41 de senadores.

Potenciais impactos econômicos

Estudo preliminar da Confederação Nacional da Indústria estima que a simplificação do licenciamento pode destravar R$ 127 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. A indefinição, por outro lado, manteria o país no patamar atual, onde processos demoram em média sete anos e custam até 3% do valor total da obra. Para os empresários, o cancelamento sinaliza insegurança regulatória num momento em que o Brasil busca atrair capital para infraestrutura verde.

Especialistas ligados ao setor produtivo lembram que as grandes economias adotam modelos de licenciamento com prazos definidos e responsabilidade compartilhada. “Sem previsibilidade, o investidor vira refém de interpretações subjetivas”, pontua o consultor jurídico de uma associação industrial. A expectativa é de que o Congresso reaja revivendo os dispositivos vetados a fim de estabelecer regras objetivas.

Para acompanhar outros desdobramentos da pauta ambiental no Legislativo, acesse nossa seção dedicada em Política.

O adiamento da votação reacendeu o debate sobre a necessidade de modernizar a legislação ambiental sem travar a produção. A pressão de entidades empresariais e de parlamentares deve manter o tema no centro das discussões em Brasília. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique por dentro dos próximos passos no Congresso.

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