O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Belém (PA) no fim de semana para compromissos ligados à preparação da COP 30 e, logo na chegada, optou por se hospedar em um barco com estrutura de hotel. A decisão contraria declaração recente do chefe do Executivo, que havia prometido evitar qualquer ostentação durante o evento climático marcado para 2025.
Barco reservado pela Presidência
De acordo com informações divulgadas por uma emissora de rádio, a embarcação escolhida é o modelo Iana 3, com capacidade para acomodar mais de 30 pessoas. O barco foi locado pela empresa Icotur Transporte e Turismo a pedido da Presidência da República. Entre os hóspedes confirmados estão o presidente, a primeira-dama Janja da Silva e assessores próximos.
O governo chegou a considerar o uso de um navio da Marinha, mas o equipamento militar teria sido descartado após avaliação interna. Segundo nota oficial, o barco público “não atendia às especificações de segurança e conforto necessárias”. Com isso, a Secretaria de Administração optou pelo aluguel da embarcação privada, apontada como capaz de operar “como um hotel” durante o período de estadia em Belém.
O Iana 3 dispõe de suítes climatizadas, sala de jantar, bar, cozinha completa e espaço de jogos. A diária de um barco desse porte costuma variar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, a depender da época e dos serviços contratados. A Presidência não divulgou o valor exato nem apresentou contrato, limitando-se a informar que o gasto cobre pouco mais de uma semana de permanência na capital paraense.
Custos mantidos em sigilo
Questionada sobre o montante a ser pago com recursos públicos, a Secretaria de Comunicação não respondeu até o fechamento deste texto. A ausência de transparência gerou críticas de parlamentares de oposição, que classificaram a medida como contraditória diante do discurso oficial de austeridade para a conferência climática.
Na primeira quinzena de outubro, Lula declarou que a COP 30 “não seria a COP do luxo”. Na ocasião, o presidente citou a importância de conter despesas e “mostrar ao mundo que o Brasil tem responsabilidade social e ambiental”. A hospedagem em uma embarcação equipada com itens de alto padrão expôs a divergência entre a fala e a prática do governo.


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Além da polêmica sobre custos, oposicionistas lembraram que a mesma gestão federal atrasou repasses para obras de infraestrutura básicas em Belém, como rede de esgotamento sanitário e melhoria do transporte urbano. Para eles, a prioridade ao conforto presidencial sinaliza desalinhamento na hierarquia de gastos.
Integrantes do Palácio do Planalto argumentam que a escolha do barco reforça a segurança, uma vez que deslocamentos aquáticos em Belém seriam mais rápidos e facilitariam o controle de acessos. Assessores também alegam que a cidade enfrenta déficit hoteleiro para datas de grande demanda, motivo que levaria a equipe de planejamento a buscar alternativas de hospedagem flutuante para delegações.

Imagem: Ricardo Stuckert
Impacto político
A repercussão deve se prolongar nas próximas semanas, pois o Congresso Nacional discute o Orçamento 2026 e, paralelamente, acompanha cada movimento do Executivo relacionado à COP 30. O custo total do evento, incluindo obras, segurança e logística, pode ultrapassar a casa dos bilhões de reais até 2025.
Líderes de oposição prometem apresentar requerimentos de informação para checar detalhes do contrato com a Icotur. O objetivo é conhecer cláusulas, valor final, origem da dotação orçamentária e critérios que levaram ao descarte do navio da Marinha. A bancada governista, por sua vez, tenta diminuir o desgaste destacando que chefes de Estado tradicionalmente dispõem de condições especiais de hospedagem em compromissos internacionais.
Enquanto o tema não se resolve, a capital paraense segue acelerando obras de adequação para receber chefes de governo, diplomatas, especialistas e representantes de centenas de ONGs. O governo federal prevê entregar parte dos projetos até o segundo semestre de 2024, mas ainda não detalhou o cronograma exato de todas as intervenções.
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Em síntese, a decisão de Lula de trocar um navio militar por uma embarcação de luxo abriu novo flanco de críticas sobre gastos públicos e coerência do discurso oficial. A pressão por transparência deve crescer no Legislativo, e os próximos passos do governo em Belém indicarão se a promessa de uma COP “sem luxo” permanecerá apenas no papel. Fique atento às atualizações e compartilhe esta matéria nas suas redes sociais para ampliar o debate.
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