O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar o Banco Central (BC) por uma redução da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano. A declaração foi feita nesta segunda-feira, 20 de outubro de 2025, durante o lançamento do programa Reforma Casa Brasil, que prevê crédito subsidiado de R$ 40 bilhões para reformas em moradias populares.
Pressão direta sobre a autoridade monetária
Diante de ministros, governadores e parlamentares presentes ao evento, Lula afirmou que “o Banco Central vai precisar começar a baixar o juro”, ressaltando que sua gestão estaria “preparando o país para ter uma política monetária mais séria”. O comentário ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 15% ao ano por três reuniões consecutivas — patamar mais alto desde julho de 2006, quando os juros chegaram a 15,25%.
Mesmo sem apresentar calendário, o presidente reforçou que espera mudanças “no tempo certo”, acrescentando que empresários e bancos podem lucrar, “desde que não extorquem a população”. As falas foram vistas como novo episódio de pressão sobre a diretoria da autoridade monetária, que tem mandato legal independente do Poder Executivo.
Compromisso fiscal e críticas veladas
No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prometeu entregar “o melhor resultado fiscal desde 2015” até o fim do atual mandato. O discurso busca reforçar a narrativa de responsabilidade orçamentária, condição considerada pelo mercado para que a política monetária seja afrouxada sem riscos à inflação.
O Copom tem sinalizado que manterá a taxa em nível “elevado por período prolongado” para garantir a convergência da inflação à meta oficial, hoje em 3%. A autarquia ressalta que qualquer recuo prematuro poderia desancorar expectativas de preços e elevar o custo de vida, especialmente para as camadas de renda mais baixa.
Programa de crédito subsidiado
Com o Reforma Casa Brasil, o governo prevê conceder financiamentos com juros abaixo da média de mercado para famílias de baixa renda realizarem melhorias estruturais em suas residências. Segundo o Palácio do Planalto, os recursos poderão ser usados em obras de ampliação, troca de cobertura ou instalação de itens de eficiência energética.


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O projeto deve ser regulamentado até o primeiro trimestre de 2026 e operado por bancos públicos federais. A equipe econômica estima que a iniciativa possa estimular o setor de construção civil e gerar até 200 mil empregos diretos e indiretos. Críticos, entretanto, alertam para o risco de aumento na demanda por materiais, o que pode pressionar preços e comprometer o controle inflacionário.
Selic em patamar histórico
A decisão de setembro do Copom manteve a taxa de juros em 15% ao ano pelo terceiro encontro seguido. O colegiado argumentou que a atividade econômica segue resiliente e que os núcleos de inflação continuam acima do centro da meta. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, reforçou, em coletiva posterior, que a instituição atua “com total autonomia” e que qualquer mudança dependerá de “dados concretos” sobre evolução de preços e contas públicas.

Imagem: Camila Abrão
A independência formal do Banco Central foi aprovada em 2021, durante o governo anterior, justamente para proteger a política monetária de flutuações políticas de curto prazo. O mandato da atual diretoria termina apenas em 2027, o que mantém a condução dos juros fora do alcance direto do Executivo.
Expectativas do mercado e próximos passos
Analistas consultados por instituições financeiras veem chance reduzida de corte na Selic antes do segundo semestre de 2026, a menos que o governo apresente avanços consistentes na execução do arcabouço fiscal e no controle de gastos obrigatórios. Eles destacam que a credibilidade na gestão das contas públicas é fator determinante para a curva de juros futura.
Dentro do governo, integrantes do PT pressionam por juros menores para destravar investimentos, enquanto setores produtivos afirmam que o custo elevado do crédito tem travado projetos de expansão. Já exportadores enxergam câmbio competitivo e defendem prudência para não comprometer a estabilidade conquistada após o choque inflacionário global de 2022–2023.
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Em síntese, Lula reforçou a exigência de cortes na taxa Selic e prometeu conduzir uma política monetária “mais séria”, enquanto o Banco Central, amparado em sua autonomia, mantém o foco na convergência da inflação. Resta saber se a combinação de metas fiscais e programas de crédito subsidiado será suficiente para destravar a redução dos juros sem risco de novo descontrole de preços.
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