O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adicionou duas novas bandeiras à sua pré-campanha de reeleição: transporte público totalmente gratuito e redução da jornada semanal para quatro dias, sem corte salarial. As propostas, apresentadas em 10 de outubro de 2025 em Brasília, já provocam forte reação nos círculos econômicos e empresariais devido ao impacto fiscal estimado.
Transporte gratuito pode custar até R$ 90 bilhões por ano
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que a pasta conduz um estudo técnico para viabilizar tarifa zero em todo o país. O levantamento reúne dados de subsídios, vale-transporte e receitas tarifárias a fim de estruturar um eventual programa nacional. Consultorias indicam custo anual entre R$ 57 bilhões (XP) e R$ 90 bilhões (Confederação Nacional do Transporte).
Somente a menção ao tema, feita por Haddad em 6 de outubro, foi suficiente para derrubar o Ibovespa naquele dia. Operadores do mercado avaliam que a medida amplia a incerteza sobre a trajetória da dívida pública e eleva a percepção de risco do Brasil. Taxas de juros de curto prazo subiram e o câmbio ficou pressionado na sequência.
Embora a ideia de tarifa zero exista desde a gestão paulistana de Luiza Erundina (1989-1992), o Planalto pretende retomar o projeto com alcance nacional. Não há, porém, definição de fonte de custeio. Entre as hipóteses discutidas estão parcerias com estados e municípios ou criação de novas receitas federais.
Pec da semana de 4 dias avança no Congresso
Paralelamente, o governo apoia a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que fixa carga semanal de 36 horas distribuídas em quatro dias. A proposta mantém o teto diário de oito horas e proíbe redução salarial. Bancadas do PT na Câmara e no Senado declararam apoio formal, e a Fundação Perseu Abramo incluiu a pauta como prioridade política.
O empresariado reage com reservas. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertam para aumento de custos operacionais e perda de competitividade, sobretudo entre micro e pequenas empresas. Representantes patronais defendem que mudanças na jornada ocorram via negociação coletiva, não por imposição constitucional.


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Estratégia eleitoral mira base de baixa renda
Analistas políticos observam que as novas promessas reforçam o discurso social do presidente junto ao eleitorado de menor renda, tradicional reduto petista. O chamado “kit reeleição” já incluía subsídios ao gás de cozinha, à energia elétrica e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Agora, Lula busca ampliar o pacote em meio à recuperação de popularidade medida pela pesquisa Genial/Quaest divulgada em 9 de outubro, que mostra 48 % de aprovação e 49 % de desaprovação, empate dentro da margem de erro.
Cientistas políticos avaliam que o entusiasmo inicial pode esbarrar na viabilidade financeira. Sem espaço no Orçamento de 2026 e com a dívida federal em alta, o Planalto dependeria de novas fontes de receita ou de aumento de tributos para cumprir as promessas.

Imagem: Marcelo Camargo
Mercado teme repetição de políticas fiscais expansionistas
Investidores compararam o movimento atual ao período final do governo Dilma Rousseff. A avaliação é que, se implementadas, as medidas podem ampliar o déficit primário e pressionar ainda mais a taxa de juros. A fala de Lula — “é muito difícil alguém nos vencer em 2026” — reforçou a percepção de que o governo prioriza a agenda eleitoral, mesmo diante de alertas sobre sustentabilidade das contas públicas.
Em paralelo, o Palácio do Planalto procura segurar o apoio do Centrão. Lula afirmou desejar a permanência de ministros do PP e do União Brasil, apesar das pressões partidárias. Manter a coalizão aliada é considerado essencial para aprovar qualquer mudança constitucional, incluindo a PEC da jornada reduzida.
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Em resumo, o governo projeta benefícios de alto apelo popular, mas de custo elevado e sem fonte de financiamento definida. A reação negativa do mercado já sinaliza os desafios à frente. Continue acompanhando nossos conteúdos e receba as próximas análises diretamente no seu feed.
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